segunda-feira, maio 03, 2010

Carnaval de 2009 - sete picadas de borrachudo.
Churrasco entre amigos no feriado de 1º de maio de 2010 - catorze picadas de borrachudo.

Detalhe que a pessoa em questão tem alergia, claro. As picadas não só coçam e incham, mas doem também.

Ai.

quinta-feira, abril 29, 2010

Nos últimos tempos, uma palavra tem sido meu lema: praticidade.
A atitude mais "drástica" foi ter cortado nove dedos do meu cabelo porque não aguentava mais aquele cabelão todo me dando trabalho [e só não cortei mais porque me faltou um tiquim de coragem].
Já não me locomovo muito para entregar umas páginas rabiscadas - coloco no Correio.
Nem me preocupo em ir ao salão fazer escova e maquiagem para ir a um casamento - faço eu mesma.
Acontece que eu também passei a ser prática em algumas atitudes comportamentais. Já não tenho a mínima paciência para ficar ouvindo as mesmas lamúrias de sempre, então, quando me pedem algum conselho (ou algo assim), comecei a ser bastante radical para, quem sabe, a pessoa pegar no tranco.
Há uma porção de outras atitudes práticas que adotei, mas a principal é eliminar tudo que me atrasa.

terça-feira, abril 27, 2010

Quando é que algumas pessoas vão entender que para se divertir em uma festa não é preciso beber até perder a noção e nem ficar pulando feito uma mola pra lá e pra cá? 

quarta-feira, abril 14, 2010

“Fica decretado que, a partir deste instante, haverá girassóis em todas as janelas, que os girassóis terão direito a abrir-se dentro da sombra; e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro, abertas para o verde onde cresce a esperança.

Decreta-se que nada será obrigado nem proibido, tudo será permitido, inclusive brincar com os rinocerontes e caminhar pelas tardes com uma imensa begônia na lapela.

Fica decretado que o dinheiro não poderá nunca mais comprar o sol das manhãs vindouras. Expulso do grande baú do medo, o dinheiro se transformará em uma espada fraternal para defender o direito de cantar e a festa do dia que chegou.

Fica proibido o uso da palavra liberdade, a qual será suprimida dos dicionários e do pântano enganoso das bocas. A partir deste instante a liberdade será algo vivo e transparente como um fogo ou um rio, e a sua morada será sempre o coração do homem.


Parágrafo único:


Só uma coisa fica proibida:
amar sem amor".



(Trechos de Estatuto do Homem, de Thiago de Mello)

domingo, abril 11, 2010

Em muitas das conversas tidas nos últimas dias, duas frases tiveram destaque especial:
Indisciplina de aluno é uma coisa, desrespeito é outra.
Cafajestagem é uma coisa, crueldade é outra.


Para que fique bem claro:


in.dis.ci.pli.na: substantivo feminino
falta de disciplina; desobediência, insubordinação, rebeldia


des.res.pei.to: substantivo masculino
ausência de respeito; desconsideração; afronta


ca.fa.jes.te: substantivo masculino
uso: pejorativo.
1 indivíduo de baixa condição social; pessoa a quem não se empresta importância
2 indivíduo sem refinamento no trato social, atrevido, provocador e que se veste ger. de maneira peculiar, denotando mau gosto
3 indivíduo sem nobreza de sentimentos, com má-formação de caráter, em quem não se pode confiar; canalha, velhaco
adjetivo de dois gêneros
uso: pejorativo.
4 que tem modos grosseiros, ordinários, abusados
5 desordeiro, valentão
6 infame, vil, canalha
7 que tem o chamativo mau gosto considerado típico dos cafajestes; acafajestado


cru.el: adjetivo de dois gêneros
1 a quem apraz derramar sangue, causar dor; cruento
2 Derivação: por extensão de sentido.
que gosta de fazer o mal, atormentar, maltratar; impiedoso
3 Derivação: por extensão de sentido.
duro, implacável, intransigente; insensível
4 Derivação: por extensão de sentido.
rigoroso, severo; irredutível
5 Derivação: por extensão de sentido.
horrível, hediondo
6 Derivação: por extensão de sentido.
doloroso, infeliz, pungente
7 Derivação: por extensão de sentido.
causador de sofrimento, de infelicidade, tragédia

quinta-feira, abril 08, 2010

Enquanto não vem o domínio...

http://adrianapatricio.blogspot.com/

terça-feira, abril 06, 2010

Eu vou seguir guardando todos as lembranças suas. Guardo seu primeiro sorriso, a primeira ligação e o primeiro beijo. Guardo os abraços, as declarações e as muitas incertezas. Guardo algumas despedidas, os encontros mais esperados e os mais improváveis. Guardo seu olhar, seu desespero, sua constante incerteza, o eterno mistério. Guardo seus desenhos todos, aqueles que eu mesma fiz.

sexta-feira, março 26, 2010

Verdade é que a inspiração tirou férias, sem previsão de volta, e eu já não tenho mais tanta vontade (e nem tempo) de ficar olhando para a tela do computador pensando em mais uma história de desamor (ou quase amor) para postar aqui. Porque, desculpem, mas falar de amor é muito chato. Bom mesmo é senti-lo (e disso eu não posso reclamar). Verdade também que tem tanta coisa que eu gostaria de escrever, mas isso já tornaria este blog em diário, e se nem eu tenho paciência com as minhas aflições, que dirá algum perdido que cair nesta página. No entanto, prometoquevoutentar aparecer por aqui mais vezes, juro.

P.S.: lembrem-se de mim caso alguém precise de revisões e traduções (inglês) de textos, livros, artigos, monografias e bulas de  remédio.

segunda-feira, março 22, 2010


Pra você guardei o amor


Que nunca soube dar


O amor que tive e vi sem me deixar


Sentir sem conseguir provar


Sem entregar


E repartir (...)

quinta-feira, fevereiro 25, 2010

Eu perdi a vontade de escrever e de falar. Agora eu só leio e escuto. E espero.

terça-feira, fevereiro 23, 2010

Love is patient. Love is kind. It does not want what belongs to others. It does not brag. It is not proud. It is not rude. It does not look out for its own interests. It does not easily become angry. It does not keep track of other people's wrongs. Love is not happy with evil. But it is full of joy when the truth is spoken. It always protects. It always trusts. It always hopes. It never gives up. Everyday love.

quinta-feira, fevereiro 11, 2010

(...) 
- Adeus - disse ele à flor.
Mas a flor não respondeu.
- Adeus - repetiu ele.
A flor tossiu. Mas não era por causa do resfriado.
- Eu fui uma tola - disse finalmente. - Peço-te perdão. Procura ser feliz.
A ausência de censuras o surpreendeu. Ficou parado completamente sem jeito, com a redoma nas mãos. Não conseguia compreender aquela delicadeza.
- É claro que eu te amo - disse-lhe a flor. - Foi minha culpa não perceberes isso. Mas não tem importância. Foste tão tolo quanto eu. Tenta ser feliz... Larga  essa redoma, não preciso mais dela.
- Mas o vento...
- Não estou tão resfriada assim... O ar fresco da noite me fará bem. Eu sou uma flor.
- Mas os bichos...
- É preciso que eu suporte duas ou três larvas se quiser conhecer as borboletas. Dizem que são tão belas! Do contrário, quem irá visitar-me? Tu estarás longe... Quanto aos bichos grandes, não tenho medo deles. Eu tenho as minhas garras.
E ela mostrou ingenuamente seus quatro espinhos. Em seguida acrescentou:
- Não demores assim, que é exasperante. Tu decidiste partir. Então vai!
Pois ela não queria que ele a visse chorar. Era uma flor muito orgulhosa...

[O Pequeno Príncipe]

quarta-feira, fevereiro 03, 2010

(...)
Não chorava na companhia do tempo,
mas fazia-o em frente ao espelho quando estava
sozinha em casa,
(...)
Fazia frio, fazia calor e os dias prolongavam-se pela eternidade,
passando pelas festas tradicionais da aldeia sem sair
de casa,
uma ceia de Natal com pouco para comer,
um Carnaval onde o único disfarce é aquilo que sente,
um aniversário sem velas para apagar.

E o antigo nome dela, dito por ele, parecia tão bonito. 
[Ana Marta Fortuna]

terça-feira, fevereiro 02, 2010

Faz de Conta

Não respondo teus e-mails, e quando respondo sou ríspido, distante, mantenho-me alheio: FAZ DE CONTA QUE EU TE ODEIO

Te encho de palavras carinhosas, não economizo elogios, me surpreendo de tanto afeto que consigo inventar, sou uma atriz, sou do ramo: FAZ DE CONTA QUE EU TE AMO.

Estou sempre olhando pro relógio, sempre enaltecendo os planos que eu tinha e que os outros boicotaram, sempre reclamando que os outros fazem tudo errado: FAZ DE CONTA QUE EU DOU CONTA DO RECADO.

Debocho de festas e de roupas glamorosas, não entendo como é que alguém consegue dormir tarde todas as noites, convidados permanentes para baladas na área vip do inferno: FAZ DE CONTA QUE EU NÃO QUERO.

Choro ao assistir o telejornal, lamento a dor dos outros e passo noites em claro tentando entender corrupções, descasos, tudo o que demonstra o quanto foi desperdiçado meu voto: FAZ DE CONTA QUE EU ME IMPORTO.

Digo que perdoo, ofereço cafezinho, lembro dos bons momentos, digo que os ruins ficaram no passado, que já não lembro de nada, pessoas maduras sabem que toda mágoa é peso morto: FAZ DE CONTA QUE EU NÃO SOFRO.

Cito Aristóteles e Platão, aplaudo ferros retorcidos em galerias de arte, leio poesia concreta, compro telas abstratas, fico fascinada com um arranjo techno para uma música clássica e assisto sem legenda o mais recente filme romeno: FAZ DE CONTA QUE EU ENTENDO.

Tenho todos os ingredientes para um sanduíche inesquecível, a porta da geladeira está lotada de imãs de tele-entrega, mantenho um bar razoavelmente abastecido, um pouco de sal e pimenta na despensa e o fogão tem oito anos mas parece zerinho: FAZ DE CONTA QUE EU COZINHO.

Bem-vindo à Disney, o mundo da fantasia, qual é o seu papel? Você pode ser um fantasma que atravessa paredes, ser anão ou ser gigante, um menino prodígio que decorou bem o texto, a criança ingênua que confiou na bruxa, uma sex symbol a espera do seu cowboy: FAZ DE CONTA QUE NÃO DÓI.

[Martha Medeiros, claro]

segunda-feira, fevereiro 01, 2010

Sabe quando você acha O texto que diz absolutamente tudo que você gostaria de dizer, mas não conseguia organizar as palavras? Então, aí está.

A Alegria na Tristeza
Martha Medeiros

O título desse texto na verdade não é meu, e sim de um poema do uruguaio Mario Benedetti. No original, chama-se "Alegría de la tristeza" e está no livro "La vida ese paréntesis" que, até onde sei, permanece inédito no Brasil.

O poema diz que a gente pode entristecer-se por vários motivos ou por nenhum motivo aparente, a tristeza pode ser por nós mesmos ou pelas dores do mundo, pode advir de uma palavra ou de um gesto, mas que ela sempre aparece e devemos nos aprontar para recebê-la, porque existe uma alegria inesperada na tristeza, que vem do fato de ainda conseguirmos senti-la.

Pode parecer confuso mas é um alento. Olhe para o lado: estamos vivendo numa era em que pessoas matam em briga de trânsito, matam por um boné, matam para se divertir. Além disso, as pessoas estão sem dinheiro. Quem tem emprego, segura. Quem não tem, procura. Os que possuem um amor desconfiam até da própria sombra, já que há muita oferta de sexo no mercado. E a gente corre pra caramba, é escravo do relógio, não consegue mais ficar deitado numa rede, lendo um livro, ouvindo música. Há tanta coisa pra fazer que resta pouco tempo pra sentir.

Por isso, qualquer sentimento é bem-vindo, mesmo que não seja uma euforia, um gozo, um entusiasmo, mesmo que seja uma melancolia. Sentir é um verbo que se conjuga para dentro, ao contrário do fazer, que é conjugado pra fora.

Sentir alimenta, sentir ensina, sentir aquieta. Fazer é muito barulhento.

Sentir é um retiro, fazer é uma festa. O sentir não pode ser escutado, apenas auscultado. Sentir e fazer, ambos são necessários, mas só o fazer rende grana, contatos, diplomas, convites, aquisições. Até parece que sentir não serve para subir na vida.

Uma pessoa triste é evitada. Não cabe no mundo da propaganda dos cremes dentais, dos pagodes, dos carnavais. Tristeza parece praga, lepra, doença contagiosa, um estacionamento proibido. Ok, tristeza não faz realmente bem pra saúde, mas a introspecção é um recuo providencial, pois é quando silenciamos que melhor conversamos com nossos botões. E dessa conversa sai luz, lições, sinais, e a tristeza acaba saindo também, dando espaço para uma alegria nova e revitalizada. Triste é não sentir nada.

terça-feira, janeiro 26, 2010

Parece que estou fadada a essa tal de distância. Distância de sentimento (ou seria ausência?), distância física, distância. Às vezes bate uma agonia tão grande, um aperto doído, um medo de que uma pecinha saia do eixo e todas as outras comecem a andar de maneira desconexa. Muitas vezes, bate uma vontade de sair correndo, de encontrar pessoas queridas ou, pelo menos, de saber que elas estão lá, a alguns metros, para qualquer eventualidade. Só alguns metros.

sexta-feira, janeiro 22, 2010

Infelizmente (e é com muito pesar mesmo que faço tal afirmação), eu pareço pertencer ao grupo de pessoas classificadas, carinhosamente(?), como boazinhas. E não é difícil de entender o porquê de tamanha tristeza e frustração em admitir isso, afinal, é mais que sabido que bonzinho só se fode e que ser bom é ótimo, mas ser bonzinho é péssimo. Entretanto, felizmente, eu não sou um caso tão perdido. Eu tenho acesso de fúria às vezes; aprendi a dizer 'não' em algumas situações; tenho meus acessos de sinceridade, sim; fujo de algumas pessoas inoportunas; finjo não ser eu ao telefone quando me ligam de um banco a esmo para oferecer cartão e não compro aquela blusa de estampa de oncinha com lantejoula pink só para não magoar a vendedora (mas peço desculpas sinceras e saio da loja chateada por tê-la feito perder a vez no atendimento; mas se me atenderem mal, eu sou capaz até de experimentar algo - e não levar, claro - só para ela perder mais um tempinho) e, finalmente, eu até posso parecer dócil, calma, tranquila e até mesmo aérea, mas a bem da verdade é que eu, na maioria das vezes, não encaro isso como um problema. É claro que às vezes é um pouco desgastante tentar ser sutil, mas eu ainda prefiro me contornar nas palavras a ser direta e, por que não, até grossa. É fácil identificar o meu diálogo:

- Pega mais comida!
- Não, brigada.
- Pega, você não comeu nada!
- Não quero, já falei.

- Pega mais comida!
- Não, brigada, estou satisfeita!
- Pega, você não comeu nada!
- Comi, sim! Está ótima, mas estou realmente satisfeita!

[conta pra mim, custa falar umas palavrinhas a mais?]

No entanto, hoje - ultimamente, eu diria - eu tenho passado por algumas situações que me fazem ter ódio de mim mesma por não ser capaz de usar esse tamanho todo para intimidar os ogros de plantão. Eu até acho bacana quem fala o que pensa, mas isso nos leva a um certo grau de rudeza e antipatia, às vezes, e eu não sou capaz de tamanha façanha, nem com o moleque que insiste em sujar o vidro do meu carro no semáforo ao invés de limpá-lo (mas, nesse caso, é porque eu me sinto ameaçada, confesso). Sobretudo com amigos, familiares e pessoas que eu sei que vou ver de novo - ainda que não sejam tão próximas assim, eu tento ser amena, embora nem sempre consiga: ou eu fico muda, remoendo cada palavrinha, ou então despejo de uma vez tudo o que eu acho e morro de arrependimento depois. O fato é que eu tenho vontade de esganar a secretária do médico que parece estar fazendo um favor quando eu ligo para marcar consulta; tenho vontade de dar uma voadora naquela mal-educada e folgada que acha que com grosseria vai conquistar alguém; tenho vontade de dar um soco no queixo em quem é capaz de te atender mal quando você pede um pão na chapa na padaria (se fosse na peixaria, eu até ia entender, juro); tenho vontade de dar um peteleco na nuca do táxista que faz cara feia e dirige feito um imbecil porque sua corrida não vai render R$ 50; tenho pena de quem não sabe usar a entonação de voz e a escrita de uma maneira amigável e, finalmente, tenho pena de verdade por quem é tão infeliz e acaba por chatear outra pessoa que nada tem a ver com a história. E, mesmo que me chateiem às vezes, mesmo que achem que eu sou boazinha demais, na maior parte das vezes, eu acho que eu não poderia ser de outro jeito mesmo. Mas isso não me impede de fazer um comentário para quem distribui grosseria por aí: se o seu objetivo é ficar sozinho, parabéns, você está no caminho certo! As pessoas não vão pensar duas vezes para se afastarem de você! Afinal, quem age assim não merece muito do nosso tempo perdido:

- Ah, o José está sentado nessa cadeira... (quase pedindo desculpas para a criatura do pântano que puxou a cadeira de outra pessoa que estava sentada e só saiu por alguns minutos para buscar copos, deixando o prato de comida intacto à mesa, na frente da cadeira)
- Foda-se.
- Coitado, ele está com o pé machucado.
- Azar, dá a sua cadeira pra ele.
- É, isso que eu vou fazer.
- Eu sei que você faz, você é boazinha.
- ... (levanta e busca mais cadeiras - três)

É, eu sou boazinha mesmo, ainda bem!
[e antes que eu me esqueça, vá pra puta que te pariu]

* os diálogos são reais.

quinta-feira, janeiro 21, 2010


Depois de uma noite de sono, ela acordou... É meio óbvio que depois de uma noite de sono a pessoa acorde. Ao menos que eu esteja com meu humor negro ativado e continue a frase com... sem vida.

Eu não sei o motivo... Não, sem essa de querer desvendar mistérios hoje.

De repente... Sem surpresas, meu coração não aguenta.

Era uma vez... Desculpe, foi mais forte que eu.

Chovia, chove, choverá... Diante de tanta água caindo, não consigo pensar em algo muito diferente. São Pedro, economiza água!

E foram felizes para sempre. Pronto, um final feliz, já que falta-me inspiração para sequer começar um texto. Definitivamente, ainda bem que meu salário não depende de ideias criativas.

sexta-feira, janeiro 15, 2010


Estou lidando com a matéria-prima. Estou atrás do que fica atrás do pensamento. Inútil querer me classificar: eu simplesmente escapulo não deixando, gênero não me pega mais. Estou num estado muito novo e verdadeiro, curioso de si mesmo, tão atraente e pessoal a ponto de não poder pintá-lo ou escrevê-lo. Parece com momentos que tive contigo, quando te amava, além dos quais não pude ir pois fui ao fundo dos momentos. É um estado de contato com a energia circundante e estremeço. Uma espécie de doida, doida harmonia. [Clarice Lispector]

quinta-feira, janeiro 14, 2010

Não tenho o hábito de escrever sobre assuntos do momento, mas hoje não pude deixar passar tal fato. Como a maioria dos brasileiros sabe, querendo ou não, deu-se início a mais um BBB. O tal do BBB 10. Eu não vou falar do programa em si porque, sinceramente, não há muito o que falar sobre algo tão sem conteúdo, ainda que, confessem, todo mundo acaba dando uma espiada vez ou outra. Não vejo nada de errado e espantoso nisso. Mas vamos ao que me traz aqui. Logo cedo, ao abrir a página de notícias, eis que aparece um título mais ou menos assim: Polêmico primeiro beijo gay já saiu no BBB. Peraí, rebobina. Beijo gay? Aquilo foi um selinho que deve ter durado uns 2 segundos, no máximo. Já teve até selinho triplo em outras edições e nunca ninguém falou nada. Aliás, e a quantidade de mulheres que já deram selinhos umas nas outras e nunca foram tratadas como "polêmicas"? O problema é que são dois homens, ainda que um deles seja drag queen. O problema é que essa sociedade é a escória, é hipócrita, é repugnante. O problema é que as pessoas têm preconceito, sim, julgam, sim. O problema é que quando eu acho que pode haver esperança, vem um imbecil e escreve um artigo desse. O problema, meus caros, é que a hipocrisia ainda impera.