terça-feira, janeiro 26, 2010

Parece que estou fadada a essa tal de distância. Distância de sentimento (ou seria ausência?), distância física, distância. Às vezes bate uma agonia tão grande, um aperto doído, um medo de que uma pecinha saia do eixo e todas as outras comecem a andar de maneira desconexa. Muitas vezes, bate uma vontade de sair correndo, de encontrar pessoas queridas ou, pelo menos, de saber que elas estão lá, a alguns metros, para qualquer eventualidade. Só alguns metros.

sexta-feira, janeiro 22, 2010

Infelizmente (e é com muito pesar mesmo que faço tal afirmação), eu pareço pertencer ao grupo de pessoas classificadas, carinhosamente(?), como boazinhas. E não é difícil de entender o porquê de tamanha tristeza e frustração em admitir isso, afinal, é mais que sabido que bonzinho só se fode e que ser bom é ótimo, mas ser bonzinho é péssimo. Entretanto, felizmente, eu não sou um caso tão perdido. Eu tenho acesso de fúria às vezes; aprendi a dizer 'não' em algumas situações; tenho meus acessos de sinceridade, sim; fujo de algumas pessoas inoportunas; finjo não ser eu ao telefone quando me ligam de um banco a esmo para oferecer cartão e não compro aquela blusa de estampa de oncinha com lantejoula pink só para não magoar a vendedora (mas peço desculpas sinceras e saio da loja chateada por tê-la feito perder a vez no atendimento; mas se me atenderem mal, eu sou capaz até de experimentar algo - e não levar, claro - só para ela perder mais um tempinho) e, finalmente, eu até posso parecer dócil, calma, tranquila e até mesmo aérea, mas a bem da verdade é que eu, na maioria das vezes, não encaro isso como um problema. É claro que às vezes é um pouco desgastante tentar ser sutil, mas eu ainda prefiro me contornar nas palavras a ser direta e, por que não, até grossa. É fácil identificar o meu diálogo:

- Pega mais comida!
- Não, brigada.
- Pega, você não comeu nada!
- Não quero, já falei.

- Pega mais comida!
- Não, brigada, estou satisfeita!
- Pega, você não comeu nada!
- Comi, sim! Está ótima, mas estou realmente satisfeita!

[conta pra mim, custa falar umas palavrinhas a mais?]

No entanto, hoje - ultimamente, eu diria - eu tenho passado por algumas situações que me fazem ter ódio de mim mesma por não ser capaz de usar esse tamanho todo para intimidar os ogros de plantão. Eu até acho bacana quem fala o que pensa, mas isso nos leva a um certo grau de rudeza e antipatia, às vezes, e eu não sou capaz de tamanha façanha, nem com o moleque que insiste em sujar o vidro do meu carro no semáforo ao invés de limpá-lo (mas, nesse caso, é porque eu me sinto ameaçada, confesso). Sobretudo com amigos, familiares e pessoas que eu sei que vou ver de novo - ainda que não sejam tão próximas assim, eu tento ser amena, embora nem sempre consiga: ou eu fico muda, remoendo cada palavrinha, ou então despejo de uma vez tudo o que eu acho e morro de arrependimento depois. O fato é que eu tenho vontade de esganar a secretária do médico que parece estar fazendo um favor quando eu ligo para marcar consulta; tenho vontade de dar uma voadora naquela mal-educada e folgada que acha que com grosseria vai conquistar alguém; tenho vontade de dar um soco no queixo em quem é capaz de te atender mal quando você pede um pão na chapa na padaria (se fosse na peixaria, eu até ia entender, juro); tenho vontade de dar um peteleco na nuca do táxista que faz cara feia e dirige feito um imbecil porque sua corrida não vai render R$ 50; tenho pena de quem não sabe usar a entonação de voz e a escrita de uma maneira amigável e, finalmente, tenho pena de verdade por quem é tão infeliz e acaba por chatear outra pessoa que nada tem a ver com a história. E, mesmo que me chateiem às vezes, mesmo que achem que eu sou boazinha demais, na maior parte das vezes, eu acho que eu não poderia ser de outro jeito mesmo. Mas isso não me impede de fazer um comentário para quem distribui grosseria por aí: se o seu objetivo é ficar sozinho, parabéns, você está no caminho certo! As pessoas não vão pensar duas vezes para se afastarem de você! Afinal, quem age assim não merece muito do nosso tempo perdido:

- Ah, o José está sentado nessa cadeira... (quase pedindo desculpas para a criatura do pântano que puxou a cadeira de outra pessoa que estava sentada e só saiu por alguns minutos para buscar copos, deixando o prato de comida intacto à mesa, na frente da cadeira)
- Foda-se.
- Coitado, ele está com o pé machucado.
- Azar, dá a sua cadeira pra ele.
- É, isso que eu vou fazer.
- Eu sei que você faz, você é boazinha.
- ... (levanta e busca mais cadeiras - três)

É, eu sou boazinha mesmo, ainda bem!
[e antes que eu me esqueça, vá pra puta que te pariu]

* os diálogos são reais.

quinta-feira, janeiro 21, 2010


Depois de uma noite de sono, ela acordou... É meio óbvio que depois de uma noite de sono a pessoa acorde. Ao menos que eu esteja com meu humor negro ativado e continue a frase com... sem vida.

Eu não sei o motivo... Não, sem essa de querer desvendar mistérios hoje.

De repente... Sem surpresas, meu coração não aguenta.

Era uma vez... Desculpe, foi mais forte que eu.

Chovia, chove, choverá... Diante de tanta água caindo, não consigo pensar em algo muito diferente. São Pedro, economiza água!

E foram felizes para sempre. Pronto, um final feliz, já que falta-me inspiração para sequer começar um texto. Definitivamente, ainda bem que meu salário não depende de ideias criativas.

sexta-feira, janeiro 15, 2010


Estou lidando com a matéria-prima. Estou atrás do que fica atrás do pensamento. Inútil querer me classificar: eu simplesmente escapulo não deixando, gênero não me pega mais. Estou num estado muito novo e verdadeiro, curioso de si mesmo, tão atraente e pessoal a ponto de não poder pintá-lo ou escrevê-lo. Parece com momentos que tive contigo, quando te amava, além dos quais não pude ir pois fui ao fundo dos momentos. É um estado de contato com a energia circundante e estremeço. Uma espécie de doida, doida harmonia. [Clarice Lispector]

quinta-feira, janeiro 14, 2010

Não tenho o hábito de escrever sobre assuntos do momento, mas hoje não pude deixar passar tal fato. Como a maioria dos brasileiros sabe, querendo ou não, deu-se início a mais um BBB. O tal do BBB 10. Eu não vou falar do programa em si porque, sinceramente, não há muito o que falar sobre algo tão sem conteúdo, ainda que, confessem, todo mundo acaba dando uma espiada vez ou outra. Não vejo nada de errado e espantoso nisso. Mas vamos ao que me traz aqui. Logo cedo, ao abrir a página de notícias, eis que aparece um título mais ou menos assim: Polêmico primeiro beijo gay já saiu no BBB. Peraí, rebobina. Beijo gay? Aquilo foi um selinho que deve ter durado uns 2 segundos, no máximo. Já teve até selinho triplo em outras edições e nunca ninguém falou nada. Aliás, e a quantidade de mulheres que já deram selinhos umas nas outras e nunca foram tratadas como "polêmicas"? O problema é que são dois homens, ainda que um deles seja drag queen. O problema é que essa sociedade é a escória, é hipócrita, é repugnante. O problema é que as pessoas têm preconceito, sim, julgam, sim. O problema é que quando eu acho que pode haver esperança, vem um imbecil e escreve um artigo desse. O problema, meus caros, é que a hipocrisia ainda impera.

quarta-feira, janeiro 13, 2010

Você é uma pessoa estranha. Indecifrável. Age de uma maneira que me deixa intrigada, mas interessada em te acompanhar. Eu lembro a primeira vez que nos encontramos, naquela sala onde eu nunca mais estive. Lembro que, por alguma razão, eu me interessei por você, pelo seu modo de falar, pelo sorriso espontâneo e pelo olhar que me fitava. Teria isso causado algum ciúmes nos demais que ali estavam? E eu não te encontrei mais. Não no mesmo cenário. Eu não lembro como é que voltamos a nos falar, e nem quando, mas lembro que passávamos horas ao telefone e você era meu refúgio à distância naquela cidade que me sufocava. Eu não lembro depois de quanto tempo você foi me visitar, já em outra cidade, mas eu lembro que isso implicou risco e aventura. E lembro melhor ainda que eu gostei. Bastante. Eu também não lembro quando é que você foi embora, quando voltou, mas lembro bem da última vez que você agiu como qualquer pessoa, menos como aquele amigo de antes. Lembro que você havia voltado uma vez e pedido desculpas, sem se explicar. E acabou por fazer o mesmo há não muito tempo. Eu assenti, sem entender, mas a mágoa foi inevitável. Dessa vez, aquele sentimento bacana ficou bem comprometido e acabei por deixá-lo de lado. As cores sumiram e um tom cinza foi jogado sobre a nossa tela. Então, tempos depois, você vem e me surpreende. Segura minha mão, me abraça e me faz acreditar, ainda que momentaneamente, que nada mudou, que a amizade ainda existe. E eu não entendo. Eu sei que não vai demorar muito pra você ter algum rompante e desaparecer de novo, mas me deixe reiterar que isso magoa. Eu decidi não mais procurar entendê-lo, mas não espere que eu esteja sempre aqui. Mas eu gostava da nossa amizade.
Para elas - mantras que podem deixar sua vida muito melhor

1. É melhor ser feliz do que ter razão.
2. Não tenho naaaaaada a ver com isso.
3. Prefiro que fiquem com raiva de mim do que ficar com raiva dos outros.
4. É melhor pedir antes do que reclamar depois.
5. Tem sempre um emprego pior que o nosso.
6. Nada como um dia atrás do outro - e uma noite no meio.
7. O segundo pedaço do bolo tem o mesmo gosto do primeiro.
8. Velho hoje, vintage amanhã.
9. Chocolate na TPM não engorda.
10. Homens quentes e cervejas frias são o caminho da felicidade. O oposto não funciona muito bem.
11. Você ainda não viu tudo nesta vida.
12. A gente levou milhões de anos para chegar ao topo da cadeia alimentar e agora só vai comer alface?!

[Gloss - out/09]

terça-feira, janeiro 12, 2010

Você veio e me cobriu com as melhores palavras, os gestos mais delicados, o beijo mais apaixonado. Você me faz voar, em todos os sentidos, sempre que posso, sempre que estamos juntos. Eu voaria todos os dias para emaranhar nossos braços e pernas em uma tarde quente. Você me levou, e vai continuar me levando, para passear, para conhecer o que você já viu. Você me mantém do seu lado esquerdo, desde o início. Você me deu calma, paz, alegria e esperança. Você me dá saudade, me dá vontade e me dá felicidade. Você me colocou em seus planos e entrou nos meus, ainda que eu nem os tivesse traçado ainda. Você me dá carinho, me dá juízo, paga o meu jantar e prepara o melhor almoço. Você insistiu para que eu tivesse uma gaveta em seu armário (e permitiu que eu invadisse outras). Você me deu duas canecas listradas e chama uma de 'nossa'. Você me abraça forte, me olha, me censura, me faz rir, me faz sentir. Você me deu seu prazer e levou consigo o meu. Você me decifrou de início, me deixou intrigada e maravilhada. Você é meu melhor olhar, meu segredo, meu mote, meu objetivo. Você me deu a verdade, me deu a sorte, me deu a palavra. Eu tenho a sorte de um amor tranquilo. Você é quem eu amo, é quem eu quero no ano que passou, no ano que começou há pouco e em todos os outros anos que ainda virão.
Feliz 2010.

terça-feira, dezembro 29, 2009

2009 já está quase acabando e eu aproveitei as merecidas férias em território carioca para correr aqui e deixar algumas palavras. Sem o costumeiro balanço do ano que passou, me limito a dizer apenas que 2009 está devidamente classificado como um ano bom. Sim, um ano muito bom, como todos os anos deveriam ser, e mesmo que tenha tido isso ou aquilo de não tão bom assim, como tudo na vida, 2009 está na caixinha de boas recordações. E que venha mais um ano novinho em folha e a esperança de coisas boas prevalece, ainda que possa haver algum imprevisto aqui ou ali. Então, também anseio por serenidade. 
Não sou adepta de recados de fim de ano em massa, mas meu desejo de um ótimo ano novo se estende por todos que amo. FELIZ 2010!

quarta-feira, dezembro 16, 2009

Vamos combinar o seguinte: você não pergunta, ele não responde e vice-versa. Não vejo motivo em querer saber de nada que tenha acontecido antes de determinada data. Acabou, passou, ficou lá atrás. Você não estava lá e nem ele estava ali. Então é melhor deixar tudo na caixinha de lembranças e se quiserem relembrar, façam isso longe um do outro. Porque tais lembranças desgastam, chateiam, constrangem. Ou seja, é totalmente desnecessário esse comportamento. Desnecessária essa exposição. Desnecessário plantar dúvidas e decepções, assim, a esmo. Desnecessário deixar cair por terra os sentimentos bons. Quanto menos falamos, menos nos comprometemos. Quanto menos sabemos, menos nos decepcionamos. Nesse caso, em especial, saber de menos não é desvantagem.

terça-feira, dezembro 15, 2009

Abri o livro que você me deu há quase três anos e senti uma repulsa ao ler sua dedicatória. Antes não tivesse escrito nada, assim eu não teria que relacioná-lo com aquele livro cheio de poeira em minha estante. Era para ser um presente de aniversário, mas você o entregou atrasado e o leu antes de mim. Senti raiva, deixei guardadas suas palavras até o dia em que eu realmente sentisse vontade de lê-las. Hoje. Não foi uma vontade premeditada, mas súbita. Olhei o título tão inconveniente e puxei-o com força. Eu nunca havia me interessado por essa leitura. Em menos de um dia li o livro do início ao fim, sentindo uma espécie de curiosidade e ansiedade para terminar de ler o quanto antes para, finalmente, encerrar qualquer vínculo que houvesse entre nós. Não gostei do que li. Eu deveria saber que você nunca soube o que realmente me agradaria. Arranquei a página com a dedicatória e guardei o livro na última gaveta do armário cheio de tralhas. Como se, de alguma forma, você pudesse ouvir meus pensamentos, o telefone tocou e era você do outro lado. Usou sua voz mais tranquila, o pretexto de que havia tido um sonho, e desligou com o gosto amargo da ausência de sentimentos. Arrependimento. Pela escolha do livro, pela dedicatória, pela mágoa causada, pelo sentimento destruído, pela perda. Você nunca aprendeu como proceder quando a saudade acorda.

segunda-feira, dezembro 14, 2009

O rapto da mala roxa

Para tentar fugir do padrão de malas pretas decoradas com fitinhas coloridas, você decide comprar uma mala roxa, na esperança de identificá-la mais facilmente caso precise despachá-la algum dia. Você toma todas as precauções, a começar pela identificação com nome e telefone, além de cadeado, é claro. Além disso, você memoriza exatamente a posição do zíper e, de quebra, coloca um chaveiro. Não há nenhuma fitinha colorida em mãos, senão você também a colocaria. E lá se vai sua mala, nas profundezas sem fim do aeroporto. Você viaja o tempo todo pensando na sua pobre mala abandonada, desejando que o reencontro seja rápido e sem surpresas desagradáveis. Quando, finalmente, você está à espera de sua malinha na esteira, eis que surge uma mala roxa e outra pessoa a pega. Você observa a cena cuidadosamente antes de sair correndo, mas conta com a sensatez do próximo, afinal, qualquer pessoa há de verificar as etiquetas e afins e deveria reconhecer sua mala logo de cara. Você, de longe, não vê o chaveiro e acredita que aquela mala seja, então, do ser estúpido que a pegou primeiro. Muitas malas depois, surge outra mala roxa e você, só de bater o olho, percebe que aquela não é a sua mala!!!!! Não há chaveiro e nem resquício dele, o zíper está em outro lugar e, o pior, seu nome não está na plaquinha de identificação. Desespero. Você sai correndo pelo aeroporto, tentando encontrar a infeliz que pegou sua mala, mas ela já deve estar longe há tempos, já que a SUA mala foi uma das primeiras a aparecer. Ao notar seu desespero, o funcionário da companhia aérea vem te ajudar e tenta identificar e localizar a energúmena que levou sua mala. Longos minutos depois, ele surge com a feliz notícia que conseguiu falar com ela! A criatura já está muito longe e ousa sugerir que você a encontre em algum lugar. Você, claro, se recusa e diz que vai esperá-la no aeroporto, de onde ela nunca deveria ter saído com a SUA mala. Mais longos minutos de espera depois, a pessoa lesa surge e você sai correndo ao encontro da sua pobre malinha raptada. Ao agarrar sua mala, aceita rapidamente o pedido de desculpas e vai embora correndo. O chaveiro sumiu. De qualquer forma, mesmo que o chaveiro não estivesse lá, havia vestígios: a argola. Além disso, foi colada uma etiqueta com seu nome e a lesada da mulher não se deu nem ao trabalho de conferir se era dona da mala mesmo, visto que na mala dela, de verdade, não havia nenhuma identificação. Conclusões: jamais coloque chaveiros para identificar sua mala - eles são sumariamente roubados. Amarre fitas, coloque adesivos, armadilhas, qualquer coisa, menos chaveiros bonitinhos. Sempre verifique se a mala é sua mesmo e, o mais importante, caso alguém pegue uma mala que parece ser a sua, não hesite em correr atrás para se certificar de que não é mais um abobado raptor de malas alheias.
Então, sentiu-se decepcionada. Aquele embrulho bonito, que parecia ter sido feito exclusivamente para ela, mostrou seu lado nem tão bonito. Ficou confusa com o que viu, ouviu e descobriu, assim, tão despretensiosamente. E sentiu raiva, ciúmes, mágoa, frustração. As expectativas tão boas que aquele embrulho havia causado, na verdade, tinham seu lado feio escondido. Resolveu deixar o embrulho de lado, já não sabia mais se estava disposta a, mais uma vez, descobrir a lacuna dentro daquele pacote tão supostamente bonito. Não muito tempo depois, concluiu que tudo tem um lado nem tão bonito assim - uma aba dobrada meio torta, um botão frouxo, uma linha sobrando, uma ponta rasgada. O embrulho, a princípio, estava apenas mostrando seu lado mais bonito - o laço perfeito, a fita do tamanho exato, a cor mais bonita, o tamanho ideal. O que, por acaso, é a maneira que encontramos de nos proteger. Agarrou o embrulho, amassando-o, e resolveu que não seria um fio repuxado que a faria desistir. Era só um embrulho, o conteúdo do presente importava muito mais.

sexta-feira, dezembro 11, 2009

Foi inevitável. A música soava em um volume alto, mas agradável. Ao ouvir àquele som, rapidamente teve seu pensamento tomado por um único foco: ele. Seria conveniente dizer que não bastava que fosse ele, mas o momento em que ele a deixou. Ela permaneceu parada, apenas ouvindo a trilha sonora de todo o sofrimento que ela havia passado alguns anos atrás. Como um trailer, as lembranças estavam reunidas em uma única música. As falas, as muitas lágrimas, a falta delas, o carro indo embora, o tapa. Ela poderia até mesmo criar um título ao malfadado caso de amor. Atônita, envolta ao som que insistia em tocar alto, ela permaneceu os quase cinco minutos em transe, tentando, de alguma maneira, se libertar. Como se apenas um botão tivesse sido apertado, a música terminou e ela pôde voltar a si. Então, ela sentiu-se livre, completamente livre. Foi acometida por um sorriso meio torto, mas espontâneo e, sobretudo, sincero. Ela, sorrateiramente, havia superado a perda, a mágoa, a dúvida. Nada mais a incomodava, ela estava feliz, de fato.

sexta-feira, dezembro 04, 2009

Eu não sei muito bem qual é o sentimento que se instalou aqui dentro. Acredito que tenha sido por conta dessa incerteza que fiquei tanto tempo sem escrever, sem contar as novidades, as angústias e a previsão do tempo. Eu tenho pensando em uma porção de coisas, mas, além disso, tenho passado por uma boa quantidade de acontecimentos. O tempo tem passado insuportavelmente devagar durante o dia, mas à noite eu nem o vejo passar por mim. Ainda assim, tenho encontrado mais tempo para ler, na verdade, eu diria que reencontrei a vontade. Por mais que eu tenha paixão pela leitura, também passo por fases de rebeldia. Minha casa continua meio bagunçada, mas as contas estão em dia, como tem que ser. Mas sinto dor ao ver a maior parte do meu salário destinada às contas. Já não é de hoje que ando um tanto desanimada em certo aspecto, mas estou procurando manter o exercício da paciência ativo. Isso ainda há de ser útil um dia. O coração vai muitíssimo bem, obrigada. A saudade de pessoas queridas continua, e a previsão é de que isso venha a aumentar, infelizmente. Eu continuo não me alimentando tão bem quanto deveria (e precisaria), mas tudo parece estar funcionando conforme o esperado – as dores cessaram, pelo menos aparentemente. As viagens já estão planejadas pelos próximos dois meses, e as três comemorações estão rodeadas de boas expectativas. Nada de ansiedade, só bons pensamentos, também com relação aos amigos – casamentos, filhos, vida nova! Sempre bom ter notícias assim!



Que venha 2010! [mas venho me despedir de 2009 em breve]



sexta-feira, novembro 27, 2009

Desabafo...
Dentre as coisas que me irritam, está o ato de atender ao telefone. Eu detesto. Exceto quando eu sei exatamente quem está ligando e, claro, se for do meu interesse falar com quem está do outro lado. Do mais, eu realmente tenho pavor daquele som infernal do telefone. Já tive o grande desprazer de trabalhar como secretária (que, muitas vezes, é sinônimo de recepcionista), profissõeszinhas mais ingratas, e é evidente que todas as ligações não eram de meu interesse.

- Funerária Vá Com Deus, Atazanada, bom dia.
- Bom dia, de onde fala?
- Do açougue.
- Por favor, para que número eu liguei?
- Desculpe, senhor, acabei de jogar a bola de cristal na parede.

Eu detesto anotar recados, deve ser por isso que eu não tenho o costume de deixar recado. E, mais ainda, eu abomino passar as ligações, dizendo quem é, de onde vem, para onde vai e qual o assunto. Odeio ter que voltar com uma desculpa esfarrapada só porque o infeliz que tinha que atender ao telefone não está a fim. A mentira sempre sai da boca do condenado que deu o azar de atender ao telefone. Essa história de deixar recado também requer um tanto de responsabilidade, porque se for algo importante e você esquecer de passar, a culpa também é sua. Sinceramente, isso desgasta. Mas o que mais enraivece é ficar escravo desse aparelhinho diabólico. Qualquer saidinha rápida já o faz tocar desesperadamente e ai de você se demorar ou não atender. Só eu sei cada resposta carinhosa já me veio à mente. Fazer ligações a pedido dos outros também me deixa intolerante. Assim, junte a minha vontade de cá e o bom humor de quem atendeu de lá e o resultado é uma conversa incrivelmente irascível. E quando você não consegue falar com a pessoa solcitada, automaticamente, a culpa passa a ser sua. Então, o problema passa a ser seu caso não encontre o maledeto nos próximos minutos.

Se atender ao telefone e fazer ligações fossem gratificantes, não haveria a coitada da pessoa contratada para fazer isso.

Entretanto, DEFINITIVAMENTE, eu não fui contratada para isso. Inferno.

quarta-feira, novembro 18, 2009

Diariamente, eu me deparo com fatos e mais fatos de que, definitivamente, o tempo voa, mas, ainda assim, eu sempre me surpreendo. Sempre. A famigerada falta de tempo acaba por me afastar dos hábitos antigos e a distância, essa sim, parece deixar-me fadada a um único sentimento: saudade. Ainda que eu nunca tenha tido 'turmas' de amigos - de infância, de colégio, de trabalho - eu sempre tive o hábito de extrair as melhores coisas (pessoas) dos lugares. Tenho amigos espalhados por inúmeras cidades e eu me contorço de saudade até mesmo dos que moram no mesmo lugar em que, atualmente, me encontro. Dentre todos, há, sim, uma turma que conquistou meu coração há quase um ano. As histórias foram muitas, os momentos também, e a saudade que ficou, por conta da tal distância que jogou cada um para um lado, tem feito com que eu perceba, cada vez mais, que o tempo é cruel e passa, mesmo, sem nenhuma piedade. Eu sinto saudade de determinadas épocas, em que eu vivi intensamente e acreditava, sim, que seria sempre daquela maneira. Não foram, mas as coisas boas ficaram, certamente. Lembro com saudade de quando morava com meu irmão, embora eu passasse maus bocados na selva de pedra. Algumas coisas simplesmente foram e nunca mais serão. E, apesar de, às vezes, dolorida, essa é a melhor parte. Porque o mais importante ficou, a experiência valeu. Lembro com muita saudade de cada fase que vivi, mas, não, não desejo voltar. Agora eu olho para frente e apenas guardo uma parte saudosa dentro de mim. Lembro com saudade, satisfação e a certeza mais que absoluta de que tudo tem seu lado bom.

terça-feira, novembro 17, 2009

Sabe quando você quer tanto bem alguém que até consegue esquecer cada aborrecimento que teve antes de encontrar o real significado do amor? Sabe o que é sentir alguém fazer carinho no seu rosto no meio da noite e ter a certeza, por esse simples gesto, de que isso, sim, é gostar de verdade? Sabe o que é poder contar, de fato, com alguém? Sabe o que confiar sem medo e não precisar de desculpas? Sabe o que é sentir aquele ciúmes de zelo e também sentir-se amparado? Sabe o que é ter vontade de sair correndo e abraçar forte depois de uma conversa séria para ajeitar as coisas? (essas conversas são chatas, mas fundamentais) Sabe o que é cumplicidade, afinidade e felicidade estampadas em dois sorrisos que se olham? Sabe o que é esquecer por completo as lamentações, as frustrações e a desesperança? Sabe o que é olhar para trás e sentir uma espécie de asco, ao lembrar de cada situação desnecessária por qual passou? Sabe o que é olhar para frente e visualizar uma história bonita e cheia de amor? Sabe o que é aproveitar cada minuto porque parece ser valioso? Sabe o que é sentir-se completo apenas pelo fato de estar na companhia de quem tem feito seus dias mais coloridos?

Se você deixou de saber, é porque talvez ainda não fosse o momento. Não fique descrente e tampouco despreze o sentimento de quem agora sabe.
Se você não sabe, tenha a certeza de que vai entender quando sentir.
E se você sabe, então agradeça e cuide bem do seu amor.

segunda-feira, novembro 16, 2009

Há um momento em que tudo parece ficar mais claro e é possível decidir algo e, sobretudo, discernir algumas coisas em sua vida. Você percebe que está cansado do seu trabalho, não pelo trabalho em si, mas pelo ambiente em que você é obrigado estar, pelo menos, nove horas por dia. Você sente muito mais saudade de sua família e daqueles amigos que você não vê há tempos por conta da famigerada falta de tempo. Você sente na pele que sua saúde é preciosa e frágil, e que é preciso cuidar o quanto antes de cada dorzinha que surgir, porque ela pode piorar muito ao longo do tempo. Você se dá conta de que a pessoa que você ama é, de fato, a melhor coisa que poderia ter lhe acontecido e de que você nunca esteve tão feliz como agora. Então, você resolve tomar algumas atitudes para mudar o que lhe desagrada e preservar o que lhe faz bem. E, acima de tudo, você agradece por cada sorriso estampado no seu rosto e no rosto de quem o cerca, porque mais importante que estar feliz é fazer alguém feliz.

quinta-feira, novembro 05, 2009

Lord, I thank you for this season in my life. Like fall, I rest in the beauty of preparation for the spring of new life. I give you thanks.