sexta-feira, julho 31, 2009

Eu, que sempre tive o desamor como inspiração, acabo por me surpreender com a vontade de escrever sobre o amor. Amor no sentido mais doce e puro. Eu, que nunca imaginei que pudesse me apaixonar tão intensamente, preciso controlar o sorriso incontido no rosto para que não me julguem muito boba. Mas, por você, eu não hesito em deixar explícita a minha paixão, o meu sentimento mais verdadeiro e intenso. E não me importa que saibam do meu estado de graça. É começo, mas não é precipitado dizer que quero você em minha vida por muito tempo. Você me encantou e tirou todas as minhas defesas. Eu, que já não sabia mais se acreditava no amor, só consigo pensar em estar ao seu lado. E eu só tenho que te agradecer por isso. Mas eu gostaria de fazer um pedido: por favor, não queira descer das nuvens. Você não está sozinho. Eu estou segurando sua mão e, agora, não quero mais me ver sozinha, sem você.

quinta-feira, julho 30, 2009

- Amor… Acabou. Tô de saída.
Nossa, tomara que não esteja chovendo muito.



- Hein?
De saída? Meu Deus, ela está me deixando?



- Acabou, amor.
Será que esse dinheiro é o suficiente para o táxi?



- Como assim?
Como acabou? Não, não pode ser!

- Acabou, chegou ao fim. Acabou acabado, não sobrou nada!
Acho melhor colocar sapatos fechados, a chuva parece forte.

- Mas, assim? Do nada?
Ela está tão calma... Cadê aquela mulher que me amava?

- Não, não foi do nada. Foi acabando aos poucos.
Ah, não, não vou trocar os sapatos, senão tenho que trocar a blusa também.

- Aos poucos? Defina ‘aos poucos’.
Quando será que tudo começou?

- Aos poucos... Em doses homeopáticas, um gole por dia. E acabou. Agora acabou de vez.
Hummm... Acho melhor pegar mais dinheiro, talvez eu gaste mais do que o previsto.

- Mas... Não, meu amor... Não! Não pode ser!
Meu Deus, e por que é que ela não me falou nada antes?

- Claro que pode... A maioria das coisas tem um fim, e esse era mais do que natural.
Ih, vou ter que passar no cartão.


- Natural?
Um fim assim é natural?

- Natural, sim... Nós dois sabíamos que isso ia acontecer.
Onde foi parar meu cartão?

- NÃO! Eu não sabia!
Meu Deus! Ela parece tão tranquila! Fica pra lá e pra cá, mexendo na bolsa, arrumando o cabelo e parece não se importar com a minha agonia!

- Como não? Eu também tive participação, mas você foi o maior responsável pelo fim!
Achei! Por que ele está tão aflito? É um fim, como qualquer outro!


- Mas eu posso melhorar, eu juro!
Prometo não deixar mais marcas de copo na mesinha!


- Acabou, amor. Isso é fato.
Preciso ligar para a minha mãe, não posso esquecer.


- Mas eu te amo!
Eu amo essa mulher!


- Oh, meu amor, eu também te amo...
Amo tanto...


- Então por que, raios, você está dizendo que acabou?
Se não acabou o amor...


- Porque acabou! Acabou a...



- Gente?

- A gente? Enlouqueceu, amor? Acabou a cerveja. Tô indo comprar mais no supermercado, tá? Me espera pra começar a fazer o almoço porque quero te ajudar! Beijo, lindo!

quarta-feira, julho 29, 2009

Àquela que é a aniversariante da semana...
Eu peço desculpas por todas as preocupações, e por tudo que ainda pode vir, afinal, eu só tenho 26 anos.
Eu peço perdão por todas as decepções que causei, ainda que muitas delas você as trata como frustrações por não levar em consideração que algumas coisas, com o tempo, mudam no mundo.
Eu peço desculpas se, às vezes, eu apresento pouca paciência quando acredito que deveria haver menos drama em algumas situações.
Eu peço perdão por tudo que eu disse e que te magoou, mas você sabe que eu também tenho mágoas.
Eu peço desculpas pelas omissões, mas se as faço é porque não quero piorar a situação. Mas, saiba, eu não gosto de fazê-las.
Eu peço perdão por parecer ingrata em alguns momentos, mas você sabe o quanto eu sou grata e, muitas vezes, talvez não merecedora de tamanha ajuda.
Eu peço desculpas por não ter feito a faculdade que você acredita ser promissora e tampouco não me esforçar muito para trabalhar em algo que você gostaria.
Eu peço desculpas se nem sempre faço o que você gostaria que eu fizesse, mas saiba que eu me abstenho de muita coisa por recomendação sua, só não deixo evidente o tempo todo.
Enfim...
Eu agradeço eterna e imensamente por absolutamente tudo que você já fez por mim e, por mais que possa não parecer, eu sou muito parecida com você, sim, mas nem sempre eu deixo transparecer. Eu agradaço pela educação que a mim foi dada, porque ela reflete toda a sua boa índole.
Eu a parabenizo e, sobretudo, eu a admiro muito.
Mais que tudo, meu amor por você é incondicional. E sei que você só quer o meu bem.

Obrigada, mãe.

terça-feira, julho 28, 2009

Eles nunca tinham sido um casal, de fato. Já se conheciam há quase quatro anos, tiveram um período de maior aproximação no início, mas Rita e Gabriel nunca fizeram parte do rol de casais apaixonados. Tiveram várias brigas na época em que as vontades de um não eram compatíveis com as do outro, mas a calmaria só se estabeleceu quando ambos aceitaram o fato de que eles não foram feitos para ser um típico casal de namorados e afins. Rita sempre dizia que o único motivo pelo qual os fazia ‘darem certo’ era o simples fato de não serem um casal convencional. Gabriel dizia que ela sempre fora seu melhor relacionamento (?). Sem tradições ou pedidos, eles se encontravam sempre que possível, raramente em público (não porque fosse proibido, mas porque, de alguma forma, acreditavam que aquele relacionamento só cabia aos dois e mais ninguém) e tinham seu momento: às vezes, intenso (o sexo sempre foi bom); outras, amigável (ela contava de seus casos e ele reclamava dos dele). Sempre se encontravam na casa dele, Gabriel nem chegou a conhecer o apartamento de Rita. Ela nunca deixou nada na casa de Gabriel. Nem sequer um brinco ela esqueceu. Rita encontrava objetos de outras mulheres pela casa, mas não queria ser uma dessas mulheres. Rita era diferente e a única vez que ela esqueceu o carregador de seu celular, Gabriel o enviou pelo correio. Aos poucos, os encontros passaram a ser cada vez mais esporádicos. Rita passou a ir menos ao encontro de Gabriel e ele nunca cumpriu a promessa de ir visitá-la. Assim, naturalmente, foram se afastando. Sem cobranças, explicações ou mágoas, Rita e Gabriel saíram um da vida do outro, sem que ninguém precisasse anunciar a saída. Gabriel, recentemente, parece ter perdido a aversão a relacionamentos sérios e começou a namorar, com todas as tradições, uma garota de seu trabalho. Rita está em lua de mel fora do país e volta na próxima semana.
Rita e Gabriel nunca mais se encontraram, mas ainda acreditam que são únicos um para o outro. Mesmo que nunca admitam tal constatação um ao outro e a si mesmo.

sexta-feira, julho 24, 2009

Esse é um dos poucos textos que eu, Adriana, escrevo diretamente para os gatos-pingados que por aqui passam.
Essa semana, em especial, as palavras parecem fugir e o pensamento esvai, assim, sem uma razão muito nítida. Comecei uns quatro ou cinco textos, mas sempre me surgia uma ideia nova e eu tratava de salvar e começar outro, que também ficava inacabado. Inspiração é algo que simplesmente vem. Engraçado que muitas vezes eu tenho um texto pronto na cabeça e quando sento para escrever, puff, ele some completamente. Ou eu mudo de ideia, ou aquilo deixa de fazer sentido. Eu, que costumo ser a garota das letras, acabo por me “distrair” com os números em meio às muitas leituras que faço durante o dia. Eu sempre gostei de palavras cruzadas, mas já não é de hoje que eu me rendo ao sudoku (procura no Google, para quem não sabe) nas horas de quase pane mental. Eu gostaria de escrever mais, contar mais estórias (ou histórias; embora, segundo meu companheiro, o dicionário, o significado seja o mesmo, eu ainda as vejo de maneiras distintas). Gostaria de ler mais (livros já publicados, eu digo) e ter tempo para assistir a mais filmes e seriados. Inspiração é algo que borbulha dentro de mim, mas, de alguma maneira, falta-me algo para deixar fluir tudo isso. Que eu gosto de ler e escrever, já é mais do que sabido, afinal, ninguém faz Letras sem esse pré-requisito (curiosidade: pode-se escrever prerrequisito também, viu? ABL garante), mas também gostaria de ter a escrita, do mesmo modo que já tenho a leitura, como parte de minha profissão. Por um breve período de tempo, achei que eu tivesse escolhido o diploma errado, mesmo que essa área das Palavras e Letras já tenha virado um furdunço e seja fácil encontrar revisores, escritores (especialmente) e tradutores sem um canudo, entende? Daí que eu concluí que mesmo que eu tivesse feito Jornalismo, eu escrevo mesmo é por amor. Porque eu tenho a mente inquieta e preciso, de alguma maneira, encontrar um refúgio para a quantidade de pensamentos que pipocam nesse mundo de Adrianolândia.
Muito bem, falando em histórias, já que essa semana as minhas não tomaram forma, deixo aqui uma sugestão:
Agora, com licença, as letras me esperam.

terça-feira, julho 21, 2009

É uma agonia, sabe? Mas uma agonia boa. Daquelas agonias que você sente, mas sabe que logo vai acabar. Afinal, dentre tantos significados para a tal agonia, há o “desejo ardente; ansiedade, ânsia”. E é isso: desejo, vontade, saudade. Uma ânsia maluca de sair voando até a causa da agonia. Uma agonia que acaba assim que você ganha um beijo e um abraço. E um sorriso. Daqueles que acabam com qualquer agonia e só aumentam o sentimento.
É um sentimento, sabe? Mas um sentimento bom. Daqueles sentimentos que você não sabe o nome, ou sabe, e que faz um bem sem tamanho. Um bem que a gente quase esquece que existe quando passamos muito tempo sem sentir. Um sentimento que você não procura, ele aparece quando menos se espera. E, diferentemente da agonia, esse sentimento não acaba. Beijos, abraços e sorrisos só alimentam esse bem-estar.
É uma espécie de sorte, sabe? Quando dois se transformam em um. Quando dois sentimentos, juntos, significam só um.

segunda-feira, julho 20, 2009

Porque há dias em que a mente não funciona, as informações não processam, a hora não passa e os olhos não querem ficar abertos. Há dias que por mais que você tente, a concentração inexiste e a dor toma conta da cabeça. A incapacidade de escolher uma roupa para vestir fica gritante e nada e nem ninguém no mundo vai te convencer de que você está com boa aparência. Porque você não está. Porque há dias que a única coisa que você quer ao acordar é voltar a dormir.
Assim, sem nenhum motivo aparente.

quinta-feira, julho 16, 2009

Três anos. Pedro e Isadora estavam juntos há três anos. Ela, que sempre fora romântica, nunca tinha recebido flores. Talvez um dia, no primeiro ano de namoro, quando ele bebeu demais e se esqueceu de buscá-la na rodoviária. Duas horas depois, apareceu com uma única flor e uma ressaca moral maior que o buraco no estômago de tanto vomitar. Isadora, com os olhos vermelhos, sorriu e perdoou. Podia parecer que não, mas Pedro amava Isadora. Ele nunca havia dito, mas sentia. E Isadora, apesar de ter estranhado a mudez de Pedro, aprendeu a conviver com o silêncio. Aprendeu a viver com o suposto desamor que rondava o relacionamento deles. Pedro trabalhava bastante, estava sempre envolto aos negócios. Dizia que queria comprar uma casa. Ele só se esquecia de mencionar o “para nós”. Com o tempo, Isadora também passou a planejar sua vida sozinha. A diferença é que ele agia de uma maneira despretensiosa, ela passou a fazer tudo premeditado. Pedro tinha outros passatempos, com nomes, curvas e histórias. Isadora desconfiava, até que um dia comprovou. Perdoou. Isadora nunca sofreu por Pedro, sempre fora muito tranquila. Ela também tinha onde se divertir, mas era feliz consigo mesma. Isadora não fazia nada por vingança. Aprendera que ser vingativo faz mal à saúde. Pedro passou a ser um móvel na vida de Isadora. Pedro era a mesinha do computador de Isadora. Ele precisava estar lá, embora não fosse completamente fundamental. Isadora acostumou-se com aquela mesinha e ainda não tinha vontade de se desfazer dela. Pedro parecia não enxergar Isadora às vezes, só queria saber de si. Assim, era comum o cenário: na mesma casa, ela lia um livro na sala, enquanto ele cozinhava, como se ninguém estivesse em casa. Isadora sentia falta do amor. De declarações, de sentimento. Mas não tinha tempo para essas coisas. Pedro nunca se esforçara para manter Isadora em sua vida, era tão seguro de si que ficou indignado quando, brincando, perguntou a Isadora se ela já o havia traído. “Sim”. Com quem? “Você não conhece”. Ficou dois dias mais mudo que o normal, mas nunca cobrou nada de Isadora. Naquela manhã, Isadora saiu cedo para trabalhar. Pedro continuava dormindo. Depois de muito tempo sem esse hábito, ela deu um beijo de despedida e saiu. Ele nem notou. Isadora não voltou. Pedro só notou quando foi dormir e não encontrou Isadora do lado da cama. Teve uma leve preocupação e esperou um pouco para ligar. Ela não atendeu.
Isadora estava em casa. Em sua casa.
Com o passar do tempo, providenciou sua própria vida. Aos poucos, ela foi levando suas coisas do apartamento que morava com Pedro para o seu novo apartamento. Pedro nunca notou. Além de tudo que comprou para o novo lar, a última aquisição de Isadora foi um notebook. Assim nunca mais precisaria de uma mesinha.

terça-feira, julho 14, 2009

Todos achavam Alice um encanto. Linda, delicada e sempre agradável, costumava ser calma e até mesmo boazinha, embora tivesse seus momentos de muita fúria, mas quase ninguém presenciou tal cena. Alice gostava do amor. Gostava de compartilhar seu amor. Ela acordava de bom humor e, na maior parte do tempo, estava disposta a ajudar as pessoas, em especial quem ela considerava importante. Alice amou intensamente seu primeiro namorado, mas ela gastou tantas energias para conquistá-lo, que depois de um tempo o amor de Alice acabou. Ela fez sofrer o seu primeiro namorado, não por maldade, Alice não é má, mas as cores tinham perdido o brilho. E ela não gostava do desamor. Então Alice se apaixonou de novo. Foi uma daquelas paixões arrebatadoras, ela tinha vontade de largar tudo e seguir seu amor, mas Alice também era responsável demais. Houve um tempo que Alice cansou de procurar o amor e acabou ficando alojada em um falso amor, no qual ela se escondia até encontrar uma nova paixão. E lá veio ela, a paixão. Alice se entregou e foi roubada. Esse amor era mais falso que o outro. No anterior, pelo menos, havia amor da outra parte. Um amor confuso, mas era amor. Nessa nova paixão, Alice foi motivo de chacota. Então, ao invés de subir, Alice acabou descendo. Foi parar em mais uma paixão frustrada. Ela se apaixonou por quem adorava conquistar, mas não deixava ninguém chegar perto do seu coração. Alice, tola, acreditava que poderia conquistá-lo. Não bastante, Alice cometeu o mesmo erro duas vezes. Seguidas. Sua última paixão foi o ápice do sofrimento. Como seria capaz tamanha crueldade em alguém? Crueldade tão despretensiosa. Alice queria amar, mas cansou de amar sozinha. Ela estava em declínio e estava assustada com seu próprio rebaixamento. Ela nunca fora assim, costumava ser tão sensata. O problema é que Alice era boazinha demais, compreensiva demais e, embora, assim como uma folha de papel, amassasse as paixões, nunca tratava de rasgar, atear fogo, jogar no lixo. Essas paixões fracassadas acabavam por permear a vida de Alice, atraindo mais fracassos. Alice resolveu que estava mais do que na hora de se desfazer de um passado sem futuro e que, pior, prejudicava seu presente. Alice rasgou cada paixão. Deixou-as em pedacinhos tão pequenos a ponto de nunca mais serem colados. Ela misturou todas as paixões decadentes e jogou fora. Espalhou as paixões picotadas em diversos lixos, para que nunca mais se colassem. Assim, Alice pegou uma folha em branco novinha e começou a escrever outra história. Sua história. Alice encontrou a paz. Alice encontrou a si mesma. Alice voltou a ser dona de sua história. Entregou seu coração a quem estava disposto a cuidar dele e ganhou outro coração de presente. Coração este que ela prometeu cuidar com muito carinho.

segunda-feira, julho 06, 2009

Ela já tinha levado tantos tombos, que chegou a desistir de ficar em pé em alguns momentos. Às vezes, ela ficava de joelhos; outras, deitada. Caso precisasse se mexer, ia rastejando mesmo, assim não corria o risco de cair com a cara no chão de novo, e de novo.
O problema é que ela tinha essa mania besta de amar. Ou de achar que amava. Por mais desacreditada que estivesse, lá no fundo, talvez não tão fundo, ela acreditava que poderia ser uma boa escolha. Mas alguma coisa dava errado. Ou ela se entregava de mais ou de menos. Parecia que ela não sabia demonstrar interesse. Sempre era muito ou nenhum.
E quando era muito, normalmente, o que vinha do outro lado era pouco. Pouco, mas o suficiente para mantê-la, ainda assim, interessada. Grandessíssima tola. E ela tinha vontade de falar, de escrever, de contar e, claro, de ouvir. Mas ela acabava ficando quieta e não ouvindo nada. Ficava quieta porque não ouvia. Só que o seu coração era inquieto, e ela falava. E se arrependia. Porque o silêncio permanecia alí do outro lado. E ela se sentiu uma tremenda idiota. E, definitivamente, a idiota da história não tinha que ser ela.
E ela começou a ficar cansada. Ela precisava demonstrar seu sentimento, precisava espalhar o amor que ela sentia. E ela resolveu demonstrar para quem a permitisse. Melhor que ser amado é poder demonstrar o seu amor para quem permite tal atitude. Ela cansou de dedicatórias frias nos seus livros. Cansou de tantos descasos e egoísmo. E ela caiu de novo, mas protegeu o rosto. Deixou de lado o tal de "Pensando em te matar de amor ou de dor, eu te espero calada" e percebeu que quando alguém nega o seu amor, então não há razão de esperar. Ela decidiu que, se fosse para esperar por alguém, teria que valer muito a pena. E ninguém andava valendo muito essa pena.
E ela começou a ficar em pé novamente. Sem esperar, sem sonhar, sem sofrer. Foi dando um passo por vez, sem tropeçar nela mesma e nem em que estava por perto. Passou a caminhar, ouviu a música e começou a dançar. E agora ela está ouvindo a música mais bonita e, melhor, ela tem alguém para dançar com ela. E eles dançam juntos. Sem medo de errarem algum passo e, o mais importante, sem medo de levar um tombo.
Quem começa a dançar está sujeito a cair. Mas agora ela aprendeu que é só levantar.

sexta-feira, julho 03, 2009

Então é fato.
Michael Jackson, o Rei do Pop, morreu. E, hoje, oito dias após a notícia, será o seu funeral.
Depois de uma semana na qual esse era o assunto principal, em meio à gripe e quedas de avião, cheguei à conclusão de que eu também quero falar sobre ele. Eu, até então, pouco conhecedora da vida, história e obras do Michael, mas que, claro, mantenho uma admiração pela sua musicalidade e desempenho em palco. Sim, há vários episódios, eu diria, bizarros na história dele, mas há de se admitir que ele tinha um talento musical extremamente apurado.
Ao falar de Michael Jackson, eu conseguia visualizar poucas músicas que me levavam à figura dele, mas resolvi fazer uma overdose de Michael Jackson e ouvi alguns dos Cds dele (as coletâneas e The Best Of) e, meu Deus!, confesso que eu não tinha ideia de quantas músicas eu conhecia (a maioria delas) e não sabia que eram dele, exatamente.
Não cabe a mim apontar as supostas causas que o levaram à morte, aliás, eu poderia dizer que não cabe a ninguém. O fato é: o rol de artistas lendários ganhou mais um rei.
(...)
Segregation
Everybody
Allegation
In the suite
On the news
Everybody
Dog food
Kick me
Kike me
Don't you
Wrong or right me

terça-feira, junho 30, 2009

Terminar um relacionamento é tão natural quanto tomar uma cerveja na sexta-feira à noite. Assim, sofrer por amor é quase tão opcional quanto ficar de ressaca. Sim, tudo tem um limite. Ficar triste por amor é natural. Quiçá sofrer um pouquinho, talvez pelo fim, e não exatamente pela pessoa. Beber além da conta acontece, mas todo mundo sabe (ou, pelo menos deveria saber) quando chegou ao seu limite ou, ainda, passou do estágio de alegre para inconveniente. Há quem insista em continuar bebendo, assim como há quem assuma a postura de sofredor. Sofredor a ponto de não se apaixonar de novo e, pior, deixar o sentimento preso àquela pessoa que o fez sofrer. Convenhamos, isso é pra lá de chato. Chato pra quem tem que conviver com seus traumas (mesmo que indiretamente), chato para as pessoas novas que aparecem na sua vida, chato para a pessoa que, supostamente, é a causa do sofrimento, chato até mesmo para os profissionais no assunto. Supere, olhe para frente, esqueça as mágoas e permita-se ser feliz. Não é à toa que alguém já disse que a dor é inevitável, o sofrimento é opcional. Portanto, ao beber, ficar alegre é inevitável; cair de bêbado é estupidez.

quinta-feira, junho 25, 2009

Você tem medo de se apaixonar. Eu tenho medo de me apaixonar. Seu vizinho, sua professora, seu chefe, o senhorzinho viúvo de 70 anos também têm medo de se apaixonar. Todas as pessoas têm ou, pelo menos, já tiveram medo de se apaixonar. É como saltar de paraquedas. Afinal, você só precisa se jogar. E precisa de coragem. Precisa deixar todos os seus medos e receios e... pular. Se apaixonar é como ver um filme de terror. Você não tem a mínima ideia do que vai acontecer, mas quer assistir, quer ver o que vai acontecer, embora esteja com medo e assustado. Estar apaixonado é estar disposto a abrir uma porta entreaberta para ver o que há dentro dela. Quem se julga forte por resistir a uma paixão, na verdade, acaba refletindo fraqueza. Quem não se apaixona deixa, aos poucos, de viver. E o fim do viver é o início do sobreviver.
Pule de paraquedas ou assista a um filme de terror. E encontre alguém para segurar sua mão nesses momentos.

terça-feira, junho 23, 2009

Here comes the rain again
Falling on my head like a memory
Falling on my head like a new emotion
I want to walk in the open wind
I want to talk like lovers do
I want to dive into your ocean
Is it raining with you?

So, baby, talk to me
Like lovers do
Walk with me
Like lovers do
Baby, talk to me
Like lovers do

Here comes the rain again
Raining in my head like a tragedy
Tearing me apart like a new emotion
I want to breathe in the open wind
I want to kiss like lovers do
I want to dive into your ocean
Is it raining with you?

So, baby, talk to me
Like lovers do
Baby, walk with me
Like lovers do
Baby, talk to me
Like lovers do

So, baby, talk to me
Like lovers do

Here comes the rain again
Falling on my head like a memory
Falling on my head like a new emotion

(here it comes again, here it comes again)

I want to walk in the open wind
I want to talk like lovers do
I want to dive into your ocean
Is it raining with you?

[Annie Lennox - Here comes the rain again]

segunda-feira, junho 22, 2009

Olha ela ali, toda sorridente.
Ela sempre manteve o sorriso no rosto quando ele aparecia para vê-la.
Como se fosse uma boneca na caixa, ela sempre sorria na esperança de que ele a escolhesse. Algumas vezes ele passava por ela, parava e ficava olhando. E ela tinha vontade de chorar. Chorar de esperança de que, finalmente, ele a levasse embora. Por que ela está chorando? Mas ele só olhava, passava a mão na caixa, mas acabava por pegar a boneca ao lado. E ela continuava ali, sorrindo, mas chorando. Por que é que ele nunca me escolhe?
E então vinham outras pessoas que também a olhavam, alguns até acabavam por levá-la, mas ela acabava voltando sozinha para a caixa ou, ainda, era levada de volta. E ela sempre voltava com algum arranhão. Nunca voltava ilesa. No fundo, ela queria que quem a levasse, com caixa e tudo, fosse ele. Mesmo que a maior ferida tenha sido causada pela indiferença dele.
E ele sempre voltava para vê-la, de alguma forma. Mas nunca a segurou por muito tempo. Então por que ele a olhava?
Ah, boneca...
E então ela se cansou de não ser escolhida e resolveu se esconder. Escondeu o rosto com as mãos e ele não viu mais o sorriso dela. E ela, que sempre esteve tão disponível para ele, resolveu que talvez ela mesma devesse sair daquela caixa e andar com as próprias pernas. E ela saiu da caixa e se machucou mais. Machucou as mãos na hora de rasgar aquele papelão todo. O plástico duro cortou seu rosto.
E ela descobriu que tinha esquecido como andar. E caiu muitos tombos até chegar ao seu destino. E ela chegou toda machucada, sangrando, até ele.
Por favor, me diz, por que é que você só me olha e não me escolhe?
Porque eu não quero te machucar mais.

domingo, junho 21, 2009

A
paz
invadiu
o
meu
coração
...

quinta-feira, junho 18, 2009

Amanheço, faço frio, me vejo em você. Leio, releio, almoço sem você. Cafeíno, estimulo, predigo antes de você. Canto, remexo, ouço você.
Desapareço, desbloqueio, descabelo, desdobro, desejo, desfaleço, desgosto, desidrato, desjejuo, desligo, desminto, desnudo, desobedeço, despedaço, desquadro, desregulo, dessaboro, destino, desuso, desvirtuo (você).
Chego, faço frio, anoiteço em você.

quarta-feira, junho 17, 2009

Companhia é algo que me falta na hora do almoço. Isso deveras me incomoda, mas ficar sem almoçar não pode, já diria minha mãe e todas as outras pessoas que parecem se importar comigo. Então, lá vou eu almoçar, todos os dias, em minha própria companhia.
Normalmente, costumo ir a ambientes repletos de pães, também conhecidos como padarias, onde ninguém repara muito se você está sozinho ou não. Neste lugar existem os famosos ‘almoços executivos’ que suprem a minha carência de arroz e feijão caseiros. No entanto, devo admitir que muitas vezes eu me contento com os irresistíveis salgados e, de sobremesa, alguma barra de chocolate.
No entanto, almoçar todos os dias no mesmo lugar enjoa, assim, uma vez por semana, eu me arrisco a ir a restaurantes convencionais. O constrangimento começa logo na porta. Mesa para quantos, senhora? Só eu mesma. Só você? Pode ficar à vontade. Bom, pelo menos me dão o direito de escolher o meu lugar, né? Eu procuro um lugar estratégico para poder observar o local, já que não me resta muito entretenimento até chegar a comida.
Casais no auge da paixão sempre têm presença garantida. Procuro manter distância deles, sabe? Almoçar sozinha já é bastante chato, ser lembrada que sua companhia não está no momento é completamente desnecessário.
Executivos em bando sempre existem. Na maioria das vezes, conversando sobre a empresa (o que pode englobar tudo: desde a secretária que fez plástica no nariz até a convenção da próxima semana) ou falando ao celular. Às vezes, aos berros.
Outra classe comum: mulheres. Geralmente estão em dupla, trio ou quarteto. Nunca passa disso. Costumam falar de seus maridos, amantes, namorados ou aspirantes a tal. Sabe que eu acho que vai ser melhor não vê-lo durante a semana? Assim o fim de semana é só nosso... Menos quando ele passa o final de semana com o filho... Daí é um porre, menina... (Posso me poupar dos comentários? Obrigada).
Durante a semana quase não se vê famílias almoçando. Talvez um pai ou uma mãe com o(s) filho(s), mas esses não despertam muito a minha atenção.
E, finalmente, os excluídos, abandonados... Os solitários! (É essa a classe a qual eu pertenço em, pelo menos, 3 dias da semana). Estratégias para não parecer que você se incomoda com o fato de estar só: celular. Celular, o grande companheiro de quem almoça sozinho. É nessa hora que você resolve fazer todas as ligações importantes (do seu ponto de vista) e, sobretudo, as desnecessárias também. Mandar mensagem é uma ótima saída. Em caso extremo, vá à parte de joguinhos e divirta-se. Ainda há o cardápio para brincar, caso você não tenha ido aos famosos self-service; ler, reler corrigir, traduzir, se abanar, se cobrir, não importa. A regra é: não deixem que o tirem de você até chegar o seu pedido. O consolo: pessoas sozinhas costumam sorrir e trocar olhares cúmplices ao se depararem com alguém na mesma situação.
Ainda hei de fazer amigos no horário do almoço, podem apostar.

terça-feira, junho 16, 2009

Quem é você que me trouxe a alegria e a esperança de que tudo pode, sim, dar certo? Quem é você que está longe, mas parece estar ao meu lado, ainda que eu não possa tocá-lo? Quem é você que passou tanto tempo viajando e agora quer que eu viaje até você? Quem é você que todos os dias fala comigo, mas que eu nunca ouvi a voz? Quem é você que eu mal conheço, mas está projetado no meu futuro? Quem é você que eu mal lembro do rosto, mas que não me sai a imagem da memória? Quem é você que eu soube há pouco o nome e que agora não hesito em falar? Quem é você que, Meu Deus, parece estar à minha espera? Quem é você que, Meu Deus, eu pareço estar à espera esse tempo todo? Quem é você que acha graça do que escrevo e me acompanha no jogo com as palavras? Quem é você que despertou em mim a curiosidade e a coragem de ir ao seu encontro? Quem é você por quem eu me importo e não quero magoar? Quem é você, afinal, que está nos meus sonhos e que me faz transbordar do melhor desassossego?

sexta-feira, junho 12, 2009

" - (...) não é possível, deve haver a possibilidade de um ser humano escutar o outro um dia... (...) eu sempre sinto que fico aquém das palavras... (...) nunca consegui passar o que sinto... (...) eu queria... eu sei que é loucura... dizer uma palavra e atingir a significação plena... ser entendido, entende?

- Não.

- É o seguinte: deve haver uma palavra que, uma vez dita, muda o mundo... (...)".

[Eu sei que vou te amar]