Porque no supiste entender a mi corazón
lo que había en el porque no tuviste el valor de ver quien soy
porque no escuchas lo que está tan cerca de ti
sólo el ruido de afuera y yo
que estoy a un lado desaparezco para ti
No voy a llorar y decir que no merezco esto
porque es probable que lo merezco pero no lo quiero
por eso me voy
que lástima, pero adiós
me despido de ti y me voy
que lástima pero adiós
me despido de ti
Porque sé que me espera algo mejor
alguien que sepa darme amor
de ese que endulza la sal y hace que salga el sol
yo que pensé nunca me iría de ti
que es amor del bueno de toda la vida
pero hoy entendí que no hay suficiente para los dos
No voy a llorar y decir que no merezco esto
porque es probable que lo merezco pero no lo quiero
por eso me voy
que lastima, pero adiós
me despido de ti me voy
[Peço desculpas pelos possíveis erros de espanhol, mas, infelizmente, esse idioma eu não domino. O que vale é a letra da música; Julieta Venegas - Me voy]
quinta-feira, fevereiro 26, 2009
sexta-feira, fevereiro 20, 2009
O trânsito nosso de cada dia
É sempre a mesma história. Manobra aqui, manobra alí, aperta o botão, espera o portão abrir e vrum vrum, mais um dia de trânsito!
No primeiro semáforo, lá vem aquela senhorinha com a cesta de balas. Até hoje não se sabe bem qual é o dialeto que ela fala, mas desconfia-se que ela queira vender as balas. O sinal negativo com a cabeça é clássico e ela parece entender que não há interesse nas balinhas expostas ao sol diariamente (embora continue a resmungar algo ao seu lado até o dito do semáforo abrir). Tia, desculpa, até eu achar minhas moedas o verde já vai ter aparecido duas vezes e eu já vou ter um olho roxo desde o primeiro verde.
A partir de então, continua-se na mesma faixa de sempre até chegar ao destino. Costumo pensar trinta vezes antes de mudar de faixa desde o dia em que um motoqueiro resolveu querer ser meu passageiro. Não haveria problema algum em dar-lhe uma carona, mas antes ele deveria ter aberto a porta do meu carro e, principalmente, descido da moto dele.
Passados alguns semáforos, chega-se àquele. Aquele famigerado semáforo onde há aqueles rapazes com panos, rodinhos e o diabo a quatro para poder aterrorizar seu dia e sujar seu vidro (porque a última coisa que eles fazem é limpar). E o pior que eles já encostam aquele rodinho do inferno logo de cara, sem nem levar em consideração o seu desespero, seu apelo, sua súplica para que não cheguem perto. Eu tenho pavor deles, juro. Não, não, não, não quero. Não, não tenho dinheiro. Não, por favor, não. Eu estou te pe-din-do! Não, moço! É impressionante como nosso medo é evidente de longe. O mesmo me acontece com relação aos bichos que voam, sejam eles quais forem: a sala é enorme, mas é no meu rosto que eles insistem em pousar.
O restante da trajetória é relativamente calmo. Além das motos (coisas pequenas que ocupam espaço e, claro, estorvam a vida de todo mundo) e dos ônibus e caminhões (coisas grandes que atrapalham o trânsito), há o radar. São bem interessantes as diferentes interpretações dos motoristas para a velocidade que o radar determina. O radar é de 60 km/h. Há quem ande na casa dos 30 km/h com receio de que o radar, por alguma força cósmica ou uma incógnita da Iniciativa Dharma, venha a multiplicar a sua velocidade por 2. Assim, para garantir, é melhor andar pela metade da velocidade, né? E há quem faça exatamente o contrário. A situação: você está na faixa da esquerda, a 3 metros do radar, ao seu lado tem uma carreta e você não pode ultrapassar. O infeliz do carro de trás quase entra no seu porta-malas, faz gestos com a mão e pisca o farol em plena avenida urbana para que você acelere para 120 km/h. Afinal, pelos mesmos motivos anteriores, o radar vai dividir a sua velocidade por 2. Eu costumo pensar que 60 km/h são 60 km/h e ponto.
Enfim, dirigir é o jogo de vídeo game da vida real. Os obstáculos surgem a todo instante e só nos resta desviar para seguir em frente. A única diferença é que não há mais três vidas garantidas na parte superior da tela.
Boa sorte a todos!
No primeiro semáforo, lá vem aquela senhorinha com a cesta de balas. Até hoje não se sabe bem qual é o dialeto que ela fala, mas desconfia-se que ela queira vender as balas. O sinal negativo com a cabeça é clássico e ela parece entender que não há interesse nas balinhas expostas ao sol diariamente (embora continue a resmungar algo ao seu lado até o dito do semáforo abrir). Tia, desculpa, até eu achar minhas moedas o verde já vai ter aparecido duas vezes e eu já vou ter um olho roxo desde o primeiro verde.
A partir de então, continua-se na mesma faixa de sempre até chegar ao destino. Costumo pensar trinta vezes antes de mudar de faixa desde o dia em que um motoqueiro resolveu querer ser meu passageiro. Não haveria problema algum em dar-lhe uma carona, mas antes ele deveria ter aberto a porta do meu carro e, principalmente, descido da moto dele.
Passados alguns semáforos, chega-se àquele. Aquele famigerado semáforo onde há aqueles rapazes com panos, rodinhos e o diabo a quatro para poder aterrorizar seu dia e sujar seu vidro (porque a última coisa que eles fazem é limpar). E o pior que eles já encostam aquele rodinho do inferno logo de cara, sem nem levar em consideração o seu desespero, seu apelo, sua súplica para que não cheguem perto. Eu tenho pavor deles, juro. Não, não, não, não quero. Não, não tenho dinheiro. Não, por favor, não. Eu estou te pe-din-do! Não, moço! É impressionante como nosso medo é evidente de longe. O mesmo me acontece com relação aos bichos que voam, sejam eles quais forem: a sala é enorme, mas é no meu rosto que eles insistem em pousar.
O restante da trajetória é relativamente calmo. Além das motos (coisas pequenas que ocupam espaço e, claro, estorvam a vida de todo mundo) e dos ônibus e caminhões (coisas grandes que atrapalham o trânsito), há o radar. São bem interessantes as diferentes interpretações dos motoristas para a velocidade que o radar determina. O radar é de 60 km/h. Há quem ande na casa dos 30 km/h com receio de que o radar, por alguma força cósmica ou uma incógnita da Iniciativa Dharma, venha a multiplicar a sua velocidade por 2. Assim, para garantir, é melhor andar pela metade da velocidade, né? E há quem faça exatamente o contrário. A situação: você está na faixa da esquerda, a 3 metros do radar, ao seu lado tem uma carreta e você não pode ultrapassar. O infeliz do carro de trás quase entra no seu porta-malas, faz gestos com a mão e pisca o farol em plena avenida urbana para que você acelere para 120 km/h. Afinal, pelos mesmos motivos anteriores, o radar vai dividir a sua velocidade por 2. Eu costumo pensar que 60 km/h são 60 km/h e ponto.
Enfim, dirigir é o jogo de vídeo game da vida real. Os obstáculos surgem a todo instante e só nos resta desviar para seguir em frente. A única diferença é que não há mais três vidas garantidas na parte superior da tela.
Boa sorte a todos!
quinta-feira, fevereiro 19, 2009
Essa maldita timidez ainda me mata. Você é tímida? Sou, você nunca notou? Não sei, eu te considero 'discreta', na verdade. Não sei, às vezes eu me odeio por ser tão tímida. Com as pessoas que eu conheço, ou melhor, que eu conheço BEM, eu sou muito expansiva, mas a princípio, eu sou retraída. Deve ser essa coisa de "educação". Eu diria que além de discreta você é educada. Obrigada, mas, por exemplo, eu gostaria de me sentir mais à vontade ao lado de crianças, mas eu sempre me escondo quando vejo uma. Hahahaha! Essa é boa! Você se escondendo de crianças? Esconder é modo de dizer. Eu me refiro ao fato de não fazer micagens, falar com voz de criança, bajular e afins. Enfim, acho que o meu problema é não saber bajular seja lá quem for. Sempre fui péssima nesse requisito. Já cheguei até a perder emprego por não fazer parte da corja dos caxias. É, eu também não sou fã de puxar saco de crianças, e nem de ninguém. Eu me sinto um tanto... ridícula, talvez. Exatamente! RIDÍCULA. Essa é a palavra. A idéia de parecer ridícula não me apetece. A possibilidade de virar uma cambalhota e não despertar nenhuma reação na platéia me aterroriza. Coitados dos palhaços. Sabe qual é o seu problema? Não sei se eu sei, me conta? Você é muito gentil e é cheia de escrúpulos. É, eu odeio esses tais de escrúpulos. Gostaria que eles se dissipassem no ar. Mas sabe mais uma coisa que você não sabe? É justamente isso tudo que faz de você uma das melhores pessoas que eu conheço. Ah... Hum... Bem... Obrigada? Não agradeça, você é e pronto. Tá, tá bem... Opa, uma criança vindo alí. Elas têm medo de mim. Tenho que ir, tchau! Mas...
Aquele dia havia começado cedo. No entanto, começara bem. Tudo estava sereno, até o momento em que foi trabalhar. Um clima estranho, denso. Não sabia-se ao certo a origem, mas algum aborrecimento parecia prestes a brotar do chão. E ele brotou. De repente, uma crítica sem muito fundamento fez tudo desabar. Tudo pareceu confuso e a raiva acabou tomando conta daquele corpo frágil e doído. "A idéia do ridículo não me agrada". Passou o restante do dia a controlar a raiva e as lágrimas. Foi embora no horário em que deveria ir, encontrou quem não via há um certo tempo. Desabafou, mas não se sentia leve ainda. Já em casa, depois do merecido banho e ao iniciar os preparativos para o carnaval, o interfone toca. Como se não bastasse todo aquele aborrecimento no trabalho, um infeliz perdera seu telefone, no entanto, lembrava onde era o apartamento. Maldita memória fotográfica. Um infeliz bêbado e incoveniente. Ok, pode subir. Cinco minutos. É o suficiente para eu fuzilar com os olhos antes de mandá-lo de volta pra casa. Depois de cinco minutos cravados, ele foi embora cambalendo e frustrado, e lá estava ela de volta aos preparativos. Precisava dormir, mas aquela conversa tida à tarde estava a deixando inquieta. Dormiu e duas horas e meia depois acordou. Rolou na cama, uma música peculiarmente irritante parecia tocar feito uma vitrola em sua cabeça. Sonhos confusos, raiva, tensão, INSÔNIA. Duas horas pensando, escrevendo, procurando um meio de pular o dia seguinte. Resolveu tentar dormir e apenas cochilou. O sol apareceu, e ela teve que ir ao trabalho. Mas o pior estava por vir. O pior ainda está por vir.
Quem foi mesmo que disse que o tempo resolve todas as encucações de nossa vida? Bom, seja lá quem foi, já que é para ver o tempo passar, vou tratar de garantir o meu lugar. De preferência na primeira fila, e com uma poltrona confortável, claro. Estou aqui batendo palma para todos os deslizes e para as cicatrizes mais doloridas que recebo. E recebo por ser distraída mesmo. Se eu sair por aí distribuindo panfletos com as minhas nostalgias mais absurdas, o mínimo que vai acontecer é que eles se percam por bueiros, sejam pisoteados nas ruas ou, após um certo tempo, terminem no lixo, depois de ficarem jogados no carro de quem fingiu ser solidário a mim. E é engraçado como o tempo que não me agrada, certas vezes, é o mesmo tempo que sempre me mostra realmente quem é quem, pessoa por pessoa. E isso eu tenho de agradecer. E como tenho.
segunda-feira, janeiro 05, 2009
Eu tenho vontade de arrancar com as próprias mãos. Eu tenho raiva de você. Tenho vontade de te dar uma poção que te faça sumir. Que te leve pra bem longe onde ninguém mais terá notícias suas. Principalmente eu. Tenho um imenso desejo de te dar um murro e um tapa. Daqueles bem doídos, bem doídos mesmo. Eu tenho vontade de te dizer um monte de coisa. Mas eu não quero mais você em minha vida. Tenho uma vontade imensurável de dormir e acordar só daqui muito tempo. Com a conta bancária em ordem, o trabalho garantido e um sorriso lindo e sincero ao lado. Tenho vontade de te machucar cada vez que escorre uma lágrima dos meus olhos. Tenho vontade de pegar uma borracha novinha e te apagar da minha vida. Pra sempre. Sem deixar uma única marca. Tenho vontade de nunca ter te conhecido.
Se você fosse uma pessoa, Angústia, eu te mataria.
Se você fosse uma pessoa, Angústia, eu te mataria.
quarta-feira, dezembro 17, 2008
"O que temos é muito mais do que você pensa. Você pode achar pouco, mas é muito mais do que qualquer mulher já conseguiu."
"(...) digo que você me desperta coisas ótimas, grandes e valiosas. Tenho vontade de estar ao seu lado e de ser uma pessoa melhor, de ser infinitamente bom e cheio de vida (...)"
"Você é tudo o que eu quero em uma pessoa, mas eu não consigo dar valor a isso."
"Saiba que o ontem, o hoje e o amanhã sempre farão parte de nossas vidas, e iremos, sim, quando estivermos velhinhos, olhar para trás e ver que fomos felizes."
[Alguém, por favor, pare o mundo porque eu preciso descer. Obrigada.]
"(...) digo que você me desperta coisas ótimas, grandes e valiosas. Tenho vontade de estar ao seu lado e de ser uma pessoa melhor, de ser infinitamente bom e cheio de vida (...)"
"Você é tudo o que eu quero em uma pessoa, mas eu não consigo dar valor a isso."
"Saiba que o ontem, o hoje e o amanhã sempre farão parte de nossas vidas, e iremos, sim, quando estivermos velhinhos, olhar para trás e ver que fomos felizes."
[Alguém, por favor, pare o mundo porque eu preciso descer. Obrigada.]
segunda-feira, dezembro 08, 2008
Então chegamos ao final do ano.
Papai Noel, querido, não me decepcione. Eu sei que estou muito longe de ser uma boa menina, mas eu também não dei tanto trabalho assim durante o ano, sim? Na verdade, todas as besteiras que eu fiz só prejudicaram a uma pessoa: eu.
Acompanhe meu raciocínio, querido velhinho da barba branca: tá, eu sei que eu insisti em ficar em um barco furado muito mais tempo que o necessário. Eu sei que no natal passado eu deixei de ganhar presente por não ter saído desse barco, mas esse ano eu saí!! Olha só, até que não demorei tanto assim. Tudo bem que eu precisei de uma forcinha pra me jogar dele [na verdade, me deram um empurrão bem forte que me fez cair de barriga no mar, ui, mas eu fiquei bem aliviada quando saí dele].
Eu sei também que eu desenterrei assuntos que eu jurava ter finalizado, mas eles não me causaram estragos dessa vez. Acho que a vacina que tomei há uns dois anos fez efeito.
Mas antes de ficar ressaltando meus deslizes, vou apontar o que fiz de bom [melhor, né?]: eu passei mais tempo com a minha família, eu fui madrinha de casamentos, eu fui racional na hora de gastar dinheiro, eu me encontrei profissionalmente, eu passei nos testes de paciência sem deixar ninguém (muito) ferido, eu enfrentei pessoas estranhas em uma festa esquisita só pra dar um abraço de consolo em um amigo, eu fiz algumas pessoas rirem e, principalmente, eu perdoei pessoas que me fizeram muito mal.
Por favor, Papai Noel, só me dá um pouquinho do que estou pedindo: PAZ.
Papai Noel, querido, não me decepcione. Eu sei que estou muito longe de ser uma boa menina, mas eu também não dei tanto trabalho assim durante o ano, sim? Na verdade, todas as besteiras que eu fiz só prejudicaram a uma pessoa: eu.
Acompanhe meu raciocínio, querido velhinho da barba branca: tá, eu sei que eu insisti em ficar em um barco furado muito mais tempo que o necessário. Eu sei que no natal passado eu deixei de ganhar presente por não ter saído desse barco, mas esse ano eu saí!! Olha só, até que não demorei tanto assim. Tudo bem que eu precisei de uma forcinha pra me jogar dele [na verdade, me deram um empurrão bem forte que me fez cair de barriga no mar, ui, mas eu fiquei bem aliviada quando saí dele].
Eu sei também que eu desenterrei assuntos que eu jurava ter finalizado, mas eles não me causaram estragos dessa vez. Acho que a vacina que tomei há uns dois anos fez efeito.
Mas antes de ficar ressaltando meus deslizes, vou apontar o que fiz de bom [melhor, né?]: eu passei mais tempo com a minha família, eu fui madrinha de casamentos, eu fui racional na hora de gastar dinheiro, eu me encontrei profissionalmente, eu passei nos testes de paciência sem deixar ninguém (muito) ferido, eu enfrentei pessoas estranhas em uma festa esquisita só pra dar um abraço de consolo em um amigo, eu fiz algumas pessoas rirem e, principalmente, eu perdoei pessoas que me fizeram muito mal.
Por favor, Papai Noel, só me dá um pouquinho do que estou pedindo: PAZ.
quarta-feira, novembro 19, 2008
Ela tem um tolete de folhas pra ler até o final de semana.
Os toletes estão lá, ao lado dos dois travesseiros e da almofada. Há também 3 controles remotos [um da televisão, outro do DVD, e mais um da tv a cabo], um livrinho de palavras cruzadas, lápis, óculos, celular, um livro, uma revista e uma garrafinha d'água.
Tudo isso sobre a cama, de casal, ao lado da cabeça dela.
Definitivamente, ela não dorme sozinha.
Os toletes estão lá, ao lado dos dois travesseiros e da almofada. Há também 3 controles remotos [um da televisão, outro do DVD, e mais um da tv a cabo], um livrinho de palavras cruzadas, lápis, óculos, celular, um livro, uma revista e uma garrafinha d'água.
Tudo isso sobre a cama, de casal, ao lado da cabeça dela.
Definitivamente, ela não dorme sozinha.
quinta-feira, novembro 13, 2008
Tombos.
Como é possível uma pessoa parecer viver sempre na corda bomba?
E eu me refiro aos tombos nos dois sentidos: literal e figurado.
Já conheceu alguém que tropeçasse na própria barra da calça boca de sino e se estatelasse na calçada, enquanto sua mãe a espera do outro lado? (Filha? Cadê você?) Aqui, mãe. Caída atrás do carro estacionado.
Já imaginou alguém torcer o pé de havaianas na areia da praia e começar o ano mancando e com uma consulta marcada no ortopedista? Não, doutor. O braço está ótimo, hoje é o tornozelo.
E alguém que cai de quatro em pleno almoço festivo [pago] e é tachada de bêbada sem ter tomado um gole da tal caipirinha "de graça"? E agora? Saio engatinhando e me escondo, levanto e dou risada ou me finjo de morta?
E aquela que está com tanta pressa no metrô paulistano a ponto de tentar subir correndo a escada rolante e tropeçar três vezes e cair as três vezes para uma platéia gigantesca? Raios!
Consegue ter uma idéia da vergonha que alguém passa ao descer do ônibus e cair de joelhos na rua? Ops, escorreguei.
Já correu tanto que saiu voando e seu joelho carrega a marca até hoje? [e a calça rasgada deixou de ser moda e foi doada]
Tem também aquela pessoa que cria tantas expectativas sobre algo ou alguém e, de repente, se vê perguntando: Oi, cadê o chão daqui mesmo?
[esse é o pior dos tombos; a decepção, a frustração, a mágoa.]
Mas, acredite, cicatriza.
Como é possível uma pessoa parecer viver sempre na corda bomba?
E eu me refiro aos tombos nos dois sentidos: literal e figurado.
Já conheceu alguém que tropeçasse na própria barra da calça boca de sino e se estatelasse na calçada, enquanto sua mãe a espera do outro lado? (Filha? Cadê você?) Aqui, mãe. Caída atrás do carro estacionado.
Já imaginou alguém torcer o pé de havaianas na areia da praia e começar o ano mancando e com uma consulta marcada no ortopedista? Não, doutor. O braço está ótimo, hoje é o tornozelo.
E alguém que cai de quatro em pleno almoço festivo [pago] e é tachada de bêbada sem ter tomado um gole da tal caipirinha "de graça"? E agora? Saio engatinhando e me escondo, levanto e dou risada ou me finjo de morta?
E aquela que está com tanta pressa no metrô paulistano a ponto de tentar subir correndo a escada rolante e tropeçar três vezes e cair as três vezes para uma platéia gigantesca? Raios!
Consegue ter uma idéia da vergonha que alguém passa ao descer do ônibus e cair de joelhos na rua? Ops, escorreguei.
Já correu tanto que saiu voando e seu joelho carrega a marca até hoje? [e a calça rasgada deixou de ser moda e foi doada]
Tem também aquela pessoa que cria tantas expectativas sobre algo ou alguém e, de repente, se vê perguntando: Oi, cadê o chão daqui mesmo?
[esse é o pior dos tombos; a decepção, a frustração, a mágoa.]
Mas, acredite, cicatriza.
quarta-feira, novembro 12, 2008
"Diálogo
— E você, por que desvia o olhar?
(Porque eu tenho medo de altura. Tenho medo de cair para dentro de você. Há nos seus olhos castanhos certos desenhos que me lembram montanhas, cordilheiras vistas do alto, em miniatura. Então, eu desvio os meus olhos para amarrá-los em qualquer pedra no chão e me salvar do amor. Mas, hoje, não encontraram pedra. Encontraram flor. E eu me agarrei às pétalas o mais que pude, sem sequer perceber que estava plantada num desses abismos, dentro dos seus olhos.)
— Ah. Porque eu sou tímida."
[Rita Apoena]
— E você, por que desvia o olhar?
(Porque eu tenho medo de altura. Tenho medo de cair para dentro de você. Há nos seus olhos castanhos certos desenhos que me lembram montanhas, cordilheiras vistas do alto, em miniatura. Então, eu desvio os meus olhos para amarrá-los em qualquer pedra no chão e me salvar do amor. Mas, hoje, não encontraram pedra. Encontraram flor. E eu me agarrei às pétalas o mais que pude, sem sequer perceber que estava plantada num desses abismos, dentro dos seus olhos.)
— Ah. Porque eu sou tímida."
[Rita Apoena]
segunda-feira, novembro 10, 2008
Já diria alguém muito sábio: estou descrente na raça humana.
Não, eu não julgo ninguém e justamente por isso estou tão descrente em tudo. Não me espanto com mais nada que possa parecer incomum. Só não concordo, pelo contrário, eu me revolto.
Eu te amo virou bom dia. Traição passou a ser compreensível. Maus tratos domésticos já não são novidade. Sexo está mais do que banalizado. Mentiras tornaram-se necessárias. Falsidade chega a ser confundida com amizade. Amor virou cisma. "Tempo" virou putaria. Falta de tempo significa falta de educação. Bom partido depende da conta bancária. Inteligência pode ser um problema(?). Ter escrúpulos está fora de moda.
Acorde-me em janeiro. Cansei disso tudo.
Não, eu não julgo ninguém e justamente por isso estou tão descrente em tudo. Não me espanto com mais nada que possa parecer incomum. Só não concordo, pelo contrário, eu me revolto.
Eu te amo virou bom dia. Traição passou a ser compreensível. Maus tratos domésticos já não são novidade. Sexo está mais do que banalizado. Mentiras tornaram-se necessárias. Falsidade chega a ser confundida com amizade. Amor virou cisma. "Tempo" virou putaria. Falta de tempo significa falta de educação. Bom partido depende da conta bancária. Inteligência pode ser um problema(?). Ter escrúpulos está fora de moda.
Acorde-me em janeiro. Cansei disso tudo.
quinta-feira, novembro 06, 2008
"- Sabe a garota do copo d'água?
- Sei.
- Parece distante, talvez seja porque está pensando em alguém.
- Em alguém do quadro?
- Não, um garoto com quem cruzou em algum lugar, e sentiu que eram parecidos.
- Em outros termos, prefere imaginar uma relação com alguém ausente que criar laços com os que estão presentes.
- Ao contrário, talvez tente arrumar a bagunça da vida dos outros.
- E ela? E a bagunça na vida dela? Quem vai colocar ordem?"
[Le Fabuleux Destin d'Amélie Poulain ]
- Sei.
- Parece distante, talvez seja porque está pensando em alguém.
- Em alguém do quadro?
- Não, um garoto com quem cruzou em algum lugar, e sentiu que eram parecidos.
- Em outros termos, prefere imaginar uma relação com alguém ausente que criar laços com os que estão presentes.
- Ao contrário, talvez tente arrumar a bagunça da vida dos outros.
- E ela? E a bagunça na vida dela? Quem vai colocar ordem?"
[Le Fabuleux Destin d'Amélie Poulain ]
Ela tinha quinze anos quando encontrou seu primeiro prospecto de namorado. Ele tinha dezoito ou dezenove anos e já tinha um pouco mais de histórias para contar. Ele andava em turma. Daquelas turmas onde todo mundo se conhece há tempos e tempos e todos os programas têm que ser em turma. Coisa mais chata. Mas ela não reclamava. Achava até bacana, assim não precisava dar desculpas caso não quisesse fazer algo. Se é que me entende. Ela não sabia quase nada da vida e achava importante comemorar cada mês de relacionamento. Geralmente sozinha, mas comemorava. A comemoração do terceiro mês transformou-se em um funeral. Você é uma menina linda e merece o melhor. Eu estou confuso porque sei que com você as coisas têm que ser sérias e por isso eu preciso desse tempo para saber o que eu vou fazer da minha vida. [fale de uma vez que você não quer ficar com uma menina virgem, idiota.] Ela sofreu, sofreu e sofreu. Ela achava que isso poderia ser amor. Achava também que há qualquer momento ele poderia voltar e pedir perdão. Ilusão. Poucas semanas depois ele começou a namorar... uma das garotas daquela turma. E a menina de quinze anos carregou essa mágoa durante sete anos. Um mês antes do casamento dele [com aquela garota/mulher da turma], ela o ouviu dizer: Hoje eu vejo o que eu perdi, a pessoa que eu deixei sair da minha vida. Eu não sei se meu casamento vai dar certo, a gente nunca sabe, mas que eu perdi uma pessoa incrível, eu perdi. E houve um último beijo. Ela sentia-se vingada(?) sem ao menos ter planejado tudo isso. Sete anos depois ela ouviu o que esperou durante todo esse tempo. E pra quê? Isso mudou alguma coisa? E até hoje, nas raríssimas vezes em que se encontram casualmente, o clima fica tenso. Ela evita olhares e tenta passar despercebida. A esposa, com todo bom sexto sentido que esposas têm, sente ciúmes daquela menina alta, magra e, por que não, bonita. Mas é só ciúmes.
No mundo em que eu vivo, mulheres altas, bonitas e magras são felizes! Felizes em qual sentido? Em todos, mas, especialmente, elas parecem ser completamente realizadas no amor e nenhum homem as trata mal. Não as rejeita, não as faz chorar. Então me apresente a esse mundo... No mundo em que eu vivo as coisas são bem diferentes... Mulheres altas, bonitas e magras não devem sofrer por amor. Mas sofrem. Aliás, estão bem mais propensas a isso, sabe? Como isso é possível? Eu sempre achei que vocês poderiam ter tudo e todos. Algum infeliz resolveu pintar a idéia de que o "ideal" para uma mulher é isso. Mas, não, o mundo não é alto, magro e tampouco bonito. Você está generalizando, não? Talvez... Mas o que eu quero mesmo é acabar com essa utopia de que centímetros a mais, quilos a menos e uma certa beleza pode ser sinônimo de felicidade. É... Você tem razão, mas é irônico isso tudo. Irônico é pouco.