quinta-feira, maio 13, 2010

De uns tempos pra cá (e bota tempo nisso) eu tenho lido e ouvido algumas (muitas) coisas sobre relacionamento, comportamento e outros entos do gênero. E de tudo que eu ouvi e li (pouco falei, acredite), me deparei com algumas constatações muito óbvias, mas que tem gente que parece não entender. Escolhi três, só para uma pequena demonstração.

Personalidade forte, muitas vezes, significa que o ser é pra lá de inconveniente (chato, mal-amado, infeliz).
Quem se diz muito bem-resolvido, na verdade, é abarrotado de insegurança e medo.
Quem desdenha quer comprar, sim.

terça-feira, maio 11, 2010

Minha mais nova descoberta.
Um charme.
(...) When I fall in love, I take my time
There's no need to hurry when I'm making up my mind
You can turn off the sun but I'm still gonna shine and I'll tell you why
Because
The remedy is the experience. It is a dangerous liaison
I say the comedy is that its serious. Which is a strange enough new play on words
I say the tragedy is how you're gonna spend the rest of your nights with the light on
So shine the light on all of your friends when it all amounts to nothing in the end.
I won't worry my life away.

[The remedy]

quarta-feira, maio 05, 2010

"Descobri que minha obsessão por cada coisa em seu lugar, cada assunto em seu tempo, cada palavra em seu estilo, não era o prêmio merecido de uma mente em ordem, mas, pelo contrário, todo um sistema de simulação inventado por mim para ocultar a desordem da minha natureza. Descobri que não sou disciplinado por virtude, e sim como reação contra a minha negligência; que pareço generoso para encobrir minha mesquinhez, que me faço passar por prudente quando na verdade sou desconfiado e sempre penso o pior, que sou conciliador para não sucumbir às minhas cóleras reprimidas, que só sou pontual para que ninguém saiba como pouco me importa o tempo alheio. Descobri, enfim, que o amor não é um estado da alma e sim um signo do zodíaco."
[Gabriel García Márquez - "Memória de minhas putas tristes"]

terça-feira, maio 04, 2010

Porque eu gosto muito de coisas assim.

Próximos shows:

Recife - teatro Guararapes - 04 (hoje), 05 e 06 de maio, às 21h.
São Paulo - teatro Anhembi - 08 de maio, às 18h. E 9 de maio, às 21h.
Porto Alegre - teatro Sesi - 12, 13, 14 de maio, às 21h.
Brasília - teatro Nacional - 19, 20, 21, 22, ás 21h e 23 de maio (duas sessões) às 18h e 21h
Preços: de R$ 50 a 140, com pequenas variações em cada capital


segunda-feira, maio 03, 2010

Carnaval de 2009 - sete picadas de borrachudo.
Churrasco entre amigos no feriado de 1º de maio de 2010 - catorze picadas de borrachudo.

Detalhe que a pessoa em questão tem alergia, claro. As picadas não só coçam e incham, mas doem também.

Ai.

quinta-feira, abril 29, 2010

Nos últimos tempos, uma palavra tem sido meu lema: praticidade.
A atitude mais "drástica" foi ter cortado nove dedos do meu cabelo porque não aguentava mais aquele cabelão todo me dando trabalho [e só não cortei mais porque me faltou um tiquim de coragem].
Já não me locomovo muito para entregar umas páginas rabiscadas - coloco no Correio.
Nem me preocupo em ir ao salão fazer escova e maquiagem para ir a um casamento - faço eu mesma.
Acontece que eu também passei a ser prática em algumas atitudes comportamentais. Já não tenho a mínima paciência para ficar ouvindo as mesmas lamúrias de sempre, então, quando me pedem algum conselho (ou algo assim), comecei a ser bastante radical para, quem sabe, a pessoa pegar no tranco.
Há uma porção de outras atitudes práticas que adotei, mas a principal é eliminar tudo que me atrasa.

terça-feira, abril 27, 2010

Quando é que algumas pessoas vão entender que para se divertir em uma festa não é preciso beber até perder a noção e nem ficar pulando feito uma mola pra lá e pra cá? 

quarta-feira, abril 14, 2010

“Fica decretado que, a partir deste instante, haverá girassóis em todas as janelas, que os girassóis terão direito a abrir-se dentro da sombra; e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro, abertas para o verde onde cresce a esperança.

Decreta-se que nada será obrigado nem proibido, tudo será permitido, inclusive brincar com os rinocerontes e caminhar pelas tardes com uma imensa begônia na lapela.

Fica decretado que o dinheiro não poderá nunca mais comprar o sol das manhãs vindouras. Expulso do grande baú do medo, o dinheiro se transformará em uma espada fraternal para defender o direito de cantar e a festa do dia que chegou.

Fica proibido o uso da palavra liberdade, a qual será suprimida dos dicionários e do pântano enganoso das bocas. A partir deste instante a liberdade será algo vivo e transparente como um fogo ou um rio, e a sua morada será sempre o coração do homem.


Parágrafo único:


Só uma coisa fica proibida:
amar sem amor".



(Trechos de Estatuto do Homem, de Thiago de Mello)

domingo, abril 11, 2010

Em muitas das conversas tidas nos últimas dias, duas frases tiveram destaque especial:
Indisciplina de aluno é uma coisa, desrespeito é outra.
Cafajestagem é uma coisa, crueldade é outra.


Para que fique bem claro:


in.dis.ci.pli.na: substantivo feminino
falta de disciplina; desobediência, insubordinação, rebeldia


des.res.pei.to: substantivo masculino
ausência de respeito; desconsideração; afronta


ca.fa.jes.te: substantivo masculino
uso: pejorativo.
1 indivíduo de baixa condição social; pessoa a quem não se empresta importância
2 indivíduo sem refinamento no trato social, atrevido, provocador e que se veste ger. de maneira peculiar, denotando mau gosto
3 indivíduo sem nobreza de sentimentos, com má-formação de caráter, em quem não se pode confiar; canalha, velhaco
adjetivo de dois gêneros
uso: pejorativo.
4 que tem modos grosseiros, ordinários, abusados
5 desordeiro, valentão
6 infame, vil, canalha
7 que tem o chamativo mau gosto considerado típico dos cafajestes; acafajestado


cru.el: adjetivo de dois gêneros
1 a quem apraz derramar sangue, causar dor; cruento
2 Derivação: por extensão de sentido.
que gosta de fazer o mal, atormentar, maltratar; impiedoso
3 Derivação: por extensão de sentido.
duro, implacável, intransigente; insensível
4 Derivação: por extensão de sentido.
rigoroso, severo; irredutível
5 Derivação: por extensão de sentido.
horrível, hediondo
6 Derivação: por extensão de sentido.
doloroso, infeliz, pungente
7 Derivação: por extensão de sentido.
causador de sofrimento, de infelicidade, tragédia

quinta-feira, abril 08, 2010

Enquanto não vem o domínio...

http://adrianapatricio.blogspot.com/

terça-feira, abril 06, 2010

Eu vou seguir guardando todos as lembranças suas. Guardo seu primeiro sorriso, a primeira ligação e o primeiro beijo. Guardo os abraços, as declarações e as muitas incertezas. Guardo algumas despedidas, os encontros mais esperados e os mais improváveis. Guardo seu olhar, seu desespero, sua constante incerteza, o eterno mistério. Guardo seus desenhos todos, aqueles que eu mesma fiz.

sexta-feira, março 26, 2010

Verdade é que a inspiração tirou férias, sem previsão de volta, e eu já não tenho mais tanta vontade (e nem tempo) de ficar olhando para a tela do computador pensando em mais uma história de desamor (ou quase amor) para postar aqui. Porque, desculpem, mas falar de amor é muito chato. Bom mesmo é senti-lo (e disso eu não posso reclamar). Verdade também que tem tanta coisa que eu gostaria de escrever, mas isso já tornaria este blog em diário, e se nem eu tenho paciência com as minhas aflições, que dirá algum perdido que cair nesta página. No entanto, prometoquevoutentar aparecer por aqui mais vezes, juro.

P.S.: lembrem-se de mim caso alguém precise de revisões e traduções (inglês) de textos, livros, artigos, monografias e bulas de  remédio.

segunda-feira, março 22, 2010


Pra você guardei o amor


Que nunca soube dar


O amor que tive e vi sem me deixar


Sentir sem conseguir provar


Sem entregar


E repartir (...)

quinta-feira, fevereiro 25, 2010

Eu perdi a vontade de escrever e de falar. Agora eu só leio e escuto. E espero.

terça-feira, fevereiro 23, 2010

Love is patient. Love is kind. It does not want what belongs to others. It does not brag. It is not proud. It is not rude. It does not look out for its own interests. It does not easily become angry. It does not keep track of other people's wrongs. Love is not happy with evil. But it is full of joy when the truth is spoken. It always protects. It always trusts. It always hopes. It never gives up. Everyday love.

quinta-feira, fevereiro 11, 2010

(...) 
- Adeus - disse ele à flor.
Mas a flor não respondeu.
- Adeus - repetiu ele.
A flor tossiu. Mas não era por causa do resfriado.
- Eu fui uma tola - disse finalmente. - Peço-te perdão. Procura ser feliz.
A ausência de censuras o surpreendeu. Ficou parado completamente sem jeito, com a redoma nas mãos. Não conseguia compreender aquela delicadeza.
- É claro que eu te amo - disse-lhe a flor. - Foi minha culpa não perceberes isso. Mas não tem importância. Foste tão tolo quanto eu. Tenta ser feliz... Larga  essa redoma, não preciso mais dela.
- Mas o vento...
- Não estou tão resfriada assim... O ar fresco da noite me fará bem. Eu sou uma flor.
- Mas os bichos...
- É preciso que eu suporte duas ou três larvas se quiser conhecer as borboletas. Dizem que são tão belas! Do contrário, quem irá visitar-me? Tu estarás longe... Quanto aos bichos grandes, não tenho medo deles. Eu tenho as minhas garras.
E ela mostrou ingenuamente seus quatro espinhos. Em seguida acrescentou:
- Não demores assim, que é exasperante. Tu decidiste partir. Então vai!
Pois ela não queria que ele a visse chorar. Era uma flor muito orgulhosa...

[O Pequeno Príncipe]

quarta-feira, fevereiro 03, 2010

(...)
Não chorava na companhia do tempo,
mas fazia-o em frente ao espelho quando estava
sozinha em casa,
(...)
Fazia frio, fazia calor e os dias prolongavam-se pela eternidade,
passando pelas festas tradicionais da aldeia sem sair
de casa,
uma ceia de Natal com pouco para comer,
um Carnaval onde o único disfarce é aquilo que sente,
um aniversário sem velas para apagar.

E o antigo nome dela, dito por ele, parecia tão bonito. 
[Ana Marta Fortuna]

terça-feira, fevereiro 02, 2010

Faz de Conta

Não respondo teus e-mails, e quando respondo sou ríspido, distante, mantenho-me alheio: FAZ DE CONTA QUE EU TE ODEIO

Te encho de palavras carinhosas, não economizo elogios, me surpreendo de tanto afeto que consigo inventar, sou uma atriz, sou do ramo: FAZ DE CONTA QUE EU TE AMO.

Estou sempre olhando pro relógio, sempre enaltecendo os planos que eu tinha e que os outros boicotaram, sempre reclamando que os outros fazem tudo errado: FAZ DE CONTA QUE EU DOU CONTA DO RECADO.

Debocho de festas e de roupas glamorosas, não entendo como é que alguém consegue dormir tarde todas as noites, convidados permanentes para baladas na área vip do inferno: FAZ DE CONTA QUE EU NÃO QUERO.

Choro ao assistir o telejornal, lamento a dor dos outros e passo noites em claro tentando entender corrupções, descasos, tudo o que demonstra o quanto foi desperdiçado meu voto: FAZ DE CONTA QUE EU ME IMPORTO.

Digo que perdoo, ofereço cafezinho, lembro dos bons momentos, digo que os ruins ficaram no passado, que já não lembro de nada, pessoas maduras sabem que toda mágoa é peso morto: FAZ DE CONTA QUE EU NÃO SOFRO.

Cito Aristóteles e Platão, aplaudo ferros retorcidos em galerias de arte, leio poesia concreta, compro telas abstratas, fico fascinada com um arranjo techno para uma música clássica e assisto sem legenda o mais recente filme romeno: FAZ DE CONTA QUE EU ENTENDO.

Tenho todos os ingredientes para um sanduíche inesquecível, a porta da geladeira está lotada de imãs de tele-entrega, mantenho um bar razoavelmente abastecido, um pouco de sal e pimenta na despensa e o fogão tem oito anos mas parece zerinho: FAZ DE CONTA QUE EU COZINHO.

Bem-vindo à Disney, o mundo da fantasia, qual é o seu papel? Você pode ser um fantasma que atravessa paredes, ser anão ou ser gigante, um menino prodígio que decorou bem o texto, a criança ingênua que confiou na bruxa, uma sex symbol a espera do seu cowboy: FAZ DE CONTA QUE NÃO DÓI.

[Martha Medeiros, claro]

segunda-feira, fevereiro 01, 2010

Sabe quando você acha O texto que diz absolutamente tudo que você gostaria de dizer, mas não conseguia organizar as palavras? Então, aí está.

A Alegria na Tristeza
Martha Medeiros

O título desse texto na verdade não é meu, e sim de um poema do uruguaio Mario Benedetti. No original, chama-se "Alegría de la tristeza" e está no livro "La vida ese paréntesis" que, até onde sei, permanece inédito no Brasil.

O poema diz que a gente pode entristecer-se por vários motivos ou por nenhum motivo aparente, a tristeza pode ser por nós mesmos ou pelas dores do mundo, pode advir de uma palavra ou de um gesto, mas que ela sempre aparece e devemos nos aprontar para recebê-la, porque existe uma alegria inesperada na tristeza, que vem do fato de ainda conseguirmos senti-la.

Pode parecer confuso mas é um alento. Olhe para o lado: estamos vivendo numa era em que pessoas matam em briga de trânsito, matam por um boné, matam para se divertir. Além disso, as pessoas estão sem dinheiro. Quem tem emprego, segura. Quem não tem, procura. Os que possuem um amor desconfiam até da própria sombra, já que há muita oferta de sexo no mercado. E a gente corre pra caramba, é escravo do relógio, não consegue mais ficar deitado numa rede, lendo um livro, ouvindo música. Há tanta coisa pra fazer que resta pouco tempo pra sentir.

Por isso, qualquer sentimento é bem-vindo, mesmo que não seja uma euforia, um gozo, um entusiasmo, mesmo que seja uma melancolia. Sentir é um verbo que se conjuga para dentro, ao contrário do fazer, que é conjugado pra fora.

Sentir alimenta, sentir ensina, sentir aquieta. Fazer é muito barulhento.

Sentir é um retiro, fazer é uma festa. O sentir não pode ser escutado, apenas auscultado. Sentir e fazer, ambos são necessários, mas só o fazer rende grana, contatos, diplomas, convites, aquisições. Até parece que sentir não serve para subir na vida.

Uma pessoa triste é evitada. Não cabe no mundo da propaganda dos cremes dentais, dos pagodes, dos carnavais. Tristeza parece praga, lepra, doença contagiosa, um estacionamento proibido. Ok, tristeza não faz realmente bem pra saúde, mas a introspecção é um recuo providencial, pois é quando silenciamos que melhor conversamos com nossos botões. E dessa conversa sai luz, lições, sinais, e a tristeza acaba saindo também, dando espaço para uma alegria nova e revitalizada. Triste é não sentir nada.