terça-feira, junho 30, 2009

Terminar um relacionamento é tão natural quanto tomar uma cerveja na sexta-feira à noite. Assim, sofrer por amor é quase tão opcional quanto ficar de ressaca. Sim, tudo tem um limite. Ficar triste por amor é natural. Quiçá sofrer um pouquinho, talvez pelo fim, e não exatamente pela pessoa. Beber além da conta acontece, mas todo mundo sabe (ou, pelo menos deveria saber) quando chegou ao seu limite ou, ainda, passou do estágio de alegre para inconveniente. Há quem insista em continuar bebendo, assim como há quem assuma a postura de sofredor. Sofredor a ponto de não se apaixonar de novo e, pior, deixar o sentimento preso àquela pessoa que o fez sofrer. Convenhamos, isso é pra lá de chato. Chato pra quem tem que conviver com seus traumas (mesmo que indiretamente), chato para as pessoas novas que aparecem na sua vida, chato para a pessoa que, supostamente, é a causa do sofrimento, chato até mesmo para os profissionais no assunto. Supere, olhe para frente, esqueça as mágoas e permita-se ser feliz. Não é à toa que alguém já disse que a dor é inevitável, o sofrimento é opcional. Portanto, ao beber, ficar alegre é inevitável; cair de bêbado é estupidez.

quinta-feira, junho 25, 2009

Você tem medo de se apaixonar. Eu tenho medo de me apaixonar. Seu vizinho, sua professora, seu chefe, o senhorzinho viúvo de 70 anos também têm medo de se apaixonar. Todas as pessoas têm ou, pelo menos, já tiveram medo de se apaixonar. É como saltar de paraquedas. Afinal, você só precisa se jogar. E precisa de coragem. Precisa deixar todos os seus medos e receios e... pular. Se apaixonar é como ver um filme de terror. Você não tem a mínima ideia do que vai acontecer, mas quer assistir, quer ver o que vai acontecer, embora esteja com medo e assustado. Estar apaixonado é estar disposto a abrir uma porta entreaberta para ver o que há dentro dela. Quem se julga forte por resistir a uma paixão, na verdade, acaba refletindo fraqueza. Quem não se apaixona deixa, aos poucos, de viver. E o fim do viver é o início do sobreviver.
Pule de paraquedas ou assista a um filme de terror. E encontre alguém para segurar sua mão nesses momentos.

terça-feira, junho 23, 2009

Here comes the rain again
Falling on my head like a memory
Falling on my head like a new emotion
I want to walk in the open wind
I want to talk like lovers do
I want to dive into your ocean
Is it raining with you?

So, baby, talk to me
Like lovers do
Walk with me
Like lovers do
Baby, talk to me
Like lovers do

Here comes the rain again
Raining in my head like a tragedy
Tearing me apart like a new emotion
I want to breathe in the open wind
I want to kiss like lovers do
I want to dive into your ocean
Is it raining with you?

So, baby, talk to me
Like lovers do
Baby, walk with me
Like lovers do
Baby, talk to me
Like lovers do

So, baby, talk to me
Like lovers do

Here comes the rain again
Falling on my head like a memory
Falling on my head like a new emotion

(here it comes again, here it comes again)

I want to walk in the open wind
I want to talk like lovers do
I want to dive into your ocean
Is it raining with you?

[Annie Lennox - Here comes the rain again]

segunda-feira, junho 22, 2009

Olha ela ali, toda sorridente.
Ela sempre manteve o sorriso no rosto quando ele aparecia para vê-la.
Como se fosse uma boneca na caixa, ela sempre sorria na esperança de que ele a escolhesse. Algumas vezes ele passava por ela, parava e ficava olhando. E ela tinha vontade de chorar. Chorar de esperança de que, finalmente, ele a levasse embora. Por que ela está chorando? Mas ele só olhava, passava a mão na caixa, mas acabava por pegar a boneca ao lado. E ela continuava ali, sorrindo, mas chorando. Por que é que ele nunca me escolhe?
E então vinham outras pessoas que também a olhavam, alguns até acabavam por levá-la, mas ela acabava voltando sozinha para a caixa ou, ainda, era levada de volta. E ela sempre voltava com algum arranhão. Nunca voltava ilesa. No fundo, ela queria que quem a levasse, com caixa e tudo, fosse ele. Mesmo que a maior ferida tenha sido causada pela indiferença dele.
E ele sempre voltava para vê-la, de alguma forma. Mas nunca a segurou por muito tempo. Então por que ele a olhava?
Ah, boneca...
E então ela se cansou de não ser escolhida e resolveu se esconder. Escondeu o rosto com as mãos e ele não viu mais o sorriso dela. E ela, que sempre esteve tão disponível para ele, resolveu que talvez ela mesma devesse sair daquela caixa e andar com as próprias pernas. E ela saiu da caixa e se machucou mais. Machucou as mãos na hora de rasgar aquele papelão todo. O plástico duro cortou seu rosto.
E ela descobriu que tinha esquecido como andar. E caiu muitos tombos até chegar ao seu destino. E ela chegou toda machucada, sangrando, até ele.
Por favor, me diz, por que é que você só me olha e não me escolhe?
Porque eu não quero te machucar mais.

domingo, junho 21, 2009

A
paz
invadiu
o
meu
coração
...

quinta-feira, junho 18, 2009

Amanheço, faço frio, me vejo em você. Leio, releio, almoço sem você. Cafeíno, estimulo, predigo antes de você. Canto, remexo, ouço você.
Desapareço, desbloqueio, descabelo, desdobro, desejo, desfaleço, desgosto, desidrato, desjejuo, desligo, desminto, desnudo, desobedeço, despedaço, desquadro, desregulo, dessaboro, destino, desuso, desvirtuo (você).
Chego, faço frio, anoiteço em você.

quarta-feira, junho 17, 2009

Companhia é algo que me falta na hora do almoço. Isso deveras me incomoda, mas ficar sem almoçar não pode, já diria minha mãe e todas as outras pessoas que parecem se importar comigo. Então, lá vou eu almoçar, todos os dias, em minha própria companhia.
Normalmente, costumo ir a ambientes repletos de pães, também conhecidos como padarias, onde ninguém repara muito se você está sozinho ou não. Neste lugar existem os famosos ‘almoços executivos’ que suprem a minha carência de arroz e feijão caseiros. No entanto, devo admitir que muitas vezes eu me contento com os irresistíveis salgados e, de sobremesa, alguma barra de chocolate.
No entanto, almoçar todos os dias no mesmo lugar enjoa, assim, uma vez por semana, eu me arrisco a ir a restaurantes convencionais. O constrangimento começa logo na porta. Mesa para quantos, senhora? Só eu mesma. Só você? Pode ficar à vontade. Bom, pelo menos me dão o direito de escolher o meu lugar, né? Eu procuro um lugar estratégico para poder observar o local, já que não me resta muito entretenimento até chegar a comida.
Casais no auge da paixão sempre têm presença garantida. Procuro manter distância deles, sabe? Almoçar sozinha já é bastante chato, ser lembrada que sua companhia não está no momento é completamente desnecessário.
Executivos em bando sempre existem. Na maioria das vezes, conversando sobre a empresa (o que pode englobar tudo: desde a secretária que fez plástica no nariz até a convenção da próxima semana) ou falando ao celular. Às vezes, aos berros.
Outra classe comum: mulheres. Geralmente estão em dupla, trio ou quarteto. Nunca passa disso. Costumam falar de seus maridos, amantes, namorados ou aspirantes a tal. Sabe que eu acho que vai ser melhor não vê-lo durante a semana? Assim o fim de semana é só nosso... Menos quando ele passa o final de semana com o filho... Daí é um porre, menina... (Posso me poupar dos comentários? Obrigada).
Durante a semana quase não se vê famílias almoçando. Talvez um pai ou uma mãe com o(s) filho(s), mas esses não despertam muito a minha atenção.
E, finalmente, os excluídos, abandonados... Os solitários! (É essa a classe a qual eu pertenço em, pelo menos, 3 dias da semana). Estratégias para não parecer que você se incomoda com o fato de estar só: celular. Celular, o grande companheiro de quem almoça sozinho. É nessa hora que você resolve fazer todas as ligações importantes (do seu ponto de vista) e, sobretudo, as desnecessárias também. Mandar mensagem é uma ótima saída. Em caso extremo, vá à parte de joguinhos e divirta-se. Ainda há o cardápio para brincar, caso você não tenha ido aos famosos self-service; ler, reler corrigir, traduzir, se abanar, se cobrir, não importa. A regra é: não deixem que o tirem de você até chegar o seu pedido. O consolo: pessoas sozinhas costumam sorrir e trocar olhares cúmplices ao se depararem com alguém na mesma situação.
Ainda hei de fazer amigos no horário do almoço, podem apostar.

terça-feira, junho 16, 2009

Quem é você que me trouxe a alegria e a esperança de que tudo pode, sim, dar certo? Quem é você que está longe, mas parece estar ao meu lado, ainda que eu não possa tocá-lo? Quem é você que passou tanto tempo viajando e agora quer que eu viaje até você? Quem é você que todos os dias fala comigo, mas que eu nunca ouvi a voz? Quem é você que eu mal conheço, mas está projetado no meu futuro? Quem é você que eu mal lembro do rosto, mas que não me sai a imagem da memória? Quem é você que eu soube há pouco o nome e que agora não hesito em falar? Quem é você que, Meu Deus, parece estar à minha espera? Quem é você que, Meu Deus, eu pareço estar à espera esse tempo todo? Quem é você que acha graça do que escrevo e me acompanha no jogo com as palavras? Quem é você que despertou em mim a curiosidade e a coragem de ir ao seu encontro? Quem é você por quem eu me importo e não quero magoar? Quem é você, afinal, que está nos meus sonhos e que me faz transbordar do melhor desassossego?

sexta-feira, junho 12, 2009

" - (...) não é possível, deve haver a possibilidade de um ser humano escutar o outro um dia... (...) eu sempre sinto que fico aquém das palavras... (...) nunca consegui passar o que sinto... (...) eu queria... eu sei que é loucura... dizer uma palavra e atingir a significação plena... ser entendido, entende?

- Não.

- É o seguinte: deve haver uma palavra que, uma vez dita, muda o mundo... (...)".

[Eu sei que vou te amar]
Já diria algum sábio anônimo:

Nunca se explique. Seus amigos não precisam, e seus inimigos não vão acreditar.






[explicações desgastam]

quinta-feira, junho 11, 2009

Uma homenagem ao Impressionista. Uma das pessoas mais importantes da minha vida.
Entre tantas as pessoas para as quais já escrevi, eu diria que é você o real merecedor de todas as palavras de carinho no mundo. E é você que sempre vai merecer o meu amor, independente de tudo que já tenha acontecido ou vá acontecer. Meu amor e minha gratidão eterna.
Eu tenho completa admiração, orgulho e respeito por você. Eu poderia dizer que você é o homem mais digno que conheço e de um caráter inenarrável. Tenha a certeza que, sim, todos que o conhecem também sabem disso, embora, às vezes, possam não demonstrar. Não demonstram por pura falta de coragem, mas você sabe o quão admirável você é.
Não é exagero quando digo que eu não sei o que seria de mim sem você e tampouco quando prometo amá-lo para sempre. Espero que um dia eu possa responder à altura tudo o que você já fez por mim. Desculpe se em algum momento eu não pude ajudá-lo ou, ainda, se o decepcionei.
Eu venho procurando ser uma pessoa melhor a cada dia e eu devo isso a você. E você sempre será meu melhor exemplo de vida.
Eu te amo desde sempre e para sempre.

terça-feira, junho 09, 2009

Mau humor. Claro, todo mundo tem o seu.

Considerando que o leque de pessoas ao nosso redor é muito grande, cheguei à conclusão de que, infelizmente, há mais de um tipo de mau humor.
Comecemos pelo início, mesmo.
Eis o famigerado mau humor matinal.
Tudo bem, tudo bem. Nem sempre se acorda feliz da vida por ter que encarar mais um dia estressante no trabalho, mas, meu filho, agradeça, você tem um! Se o seu trabalho é o maior causador do seu mau humor, então talvez seja melhor repensar sua vida, pelo menos sob esse aspecto. Se o mau humor leva só o tempo de chegar ao banheiro e lavar o rosto, parabéns! Já gosto um pouco mais de você! No entanto, se o mau humor só começa a ir embora depois do café da manhã... Ih, rapaz... Pode sair de perto de mim porque eu nada tenho a ver com sua noite mal dormida e nem vou preparar um café.
E, finalmente, se o mau humor é constante, dia de trabalho ou não; antes ou depois do café da manhã, sinceramente, suma daqui. Eu, definitivamente, não consigo entender como alguém que dormiu bem, acordou sem dor e está de folga pode se dar ao luxo de acordar mal-humorado, distribuindo rosnaduras e faíscas a qualquer pobre coitado que surgir na frente.
Preguiça é uma coisa; mau humor é outra.
Acordar com dor, eventualmente, não é nada agradável, experiência própria, mas remédio, médico e hospital servem para tirar sua dor e, por favor, seu mau humor.
Há quem demore um pouco mais para acordar, despertar, mas isso não está diretamente ligado ao mau humor. Reitero: preguiça é uma coisa; mau humor é outra.

E, sim, eu detesto quem acorda de mau humor [pelo menos enquanto a pessoa está nesse transe maldito].

Entretanto, vendo pelo lado positivo [SIM, há um lado bom!], se o mau humor é matinal, isso nos leva a crer que há esperança de tornar-se bom ao longo do dia!

Caso contrário... Aí entramos em outro tipo de mau humor: o mau humor constante.
Ah... Quem não conhece alguém mal humorado em tempo integral? Resmunga, reclama de tudo, não faz ideia do significado da palavra ‘simpatia’, não tem um pingo de sutileza e tampouco sagacidade ao lidar com outras pessoas. Por mim, eu colocaria pessoas assim em uma jaula e deixaria por lá. Eu fujo de pessoas ranzinzas e quando tenho que conviver com elas, troco o mínimo de palavras possível e coloco uma tarja preta imaginária em volta da cabeça dessa criatura tão (des)agradável.


E, claro, o mais comum de todos: o mau humor momentâneo.
Nós temos, em média, entre 16 e 18 horas de um dia inteirinho a ser usufruído, no qual estamos sujeitos aos mais variados tipos de acontecimentos. Eu nem sequer vou me arriscar a citar alguns, pois seriam tantas as situações, que não caberia tudo no blog inteiro.
O que vale é a seguinte constatação: não, ninguém é alegre o tempo todo, sempre há alguma coisinha que pode aborrecer pelo meio do caminho, mas, sim, é possível superar os pequenos percalços (e até mesmo os grandes) de uma forma bem-humorada.
O mau humor não precisa se estender ao longo do dia, noite, semana; ao menos que seja algo grave, mas daí passa a ser preocupação, um outro assunto a ser discutido. E, ainda assim, preocupação não quer dizer mau humor contínuo.

Já diria meu grande amigo, o Aurélio:

Humor [Do lat. humor, oris]
Disposição de espírito.
Veia cômica; graça, espírito.
Capacidade de perceber, apreciar ou expressar o que é cômico ou divertido.

Muito bem, então, se eu não estiver enganada, parece que o humor está muito mais inclinado para o BOM ao invés do MAU, sim?

Eu não prego a alegria descabida, sobretudo, porque eu não confio muito nas pessoas ‘mais felizes do mundo’. Apenas não gosto de afronta gratuita, rabugem descontrolada. O mau humor é direito de todos, mas ninguém é obrigado a aturar a insatisfação alheia de graça.
E, sim, bom humor é fundamental.
Aos que leram até aqui, muito obrigada. Embora eu não seja adepta de ‘desabafos virtuais’, confesso que esse foi um.
Alguém tem uma jaula aí?

segunda-feira, junho 08, 2009

Garçom, traz um chocolate quente, que é para passar o frio. Aproveite e traz um café bem forte, assim eu me mantenho acordada. Uma dose de tequila, por favor, só para começar. Traz uma garrafa de cerveja, que é para brindar. Um vinho tinto seco, para combinar com o jantar. Traz uma água, que é para não ficar muito bêbada. Um suco de laranja, por favor, para prevenir a gripe. Aproveita e traz um saquê, só para não dizer que não tomei cachaça. Está vendo essa foto, aqui? Traz um pouco desse, daí eu te deixo em paz. Ah, mas traz uma coca-cola antes (com limão e gelo).
Talvez tenha sido por causa do frio ou pela bebida em demasia ou, ainda, porque o momento inspirava tal atitude. Talvez tenha sido pela afinidade, pela curiosidade, pelos tempos lá de trás. Ainda pode ser por coincidência, por sorte, por aposta, pelo passado, futuro e, sobretudo, presente. Pode ser que sim ou que não, não importa. Só é certo de que não poderia ser mais interessante esse (a)caso.

domingo, junho 07, 2009

"Quando fazemos tudo para que nos amem e não conseguimos, resta-nos um último recurso: não fazer mais nada. Por isso, digo, quando não obtivermos o amor, o afeto ou a ternura que havíamos solicitado, melhor será desistirmos e procurar mais adiante os sentimentos que nos negaram. Não fazer esforços inúteis, pois o amor nasce, ou não, espontaneamente, mas nunca por força de imposição. Às vezes, é inútil esforçar-se demais, nada se consegue; outras vezes, nada damos e o amor se rende aos nossos pés. Os sentimentos são sempre uma surpresa. Nunca foram uma caridade mendigada, uma compaixão ou um favor concedido. Quase sempre amamos a quem nos ama mal, e desprezamos quem melhor nos quer. Assim, repito, quando tivermos feito tudo para conseguir um amor, e falhado, resta-nos um só caminho... o de mais nada fazer".

[Clarice Lispector]

sábado, junho 06, 2009

Todas as noites era a mesma história. Ela tentava dormir abraçada, mas não conseguia ficar parada por muito tempo. Daí logo se esquivava e virava para o outro lado. Acontece que com ele, só com ele, ela queria dormir bem junto, mas não conseguia. Ele também não parava quieto e, por algum problema de logística na hora de escolher o lado da cama, acabaram por escolher o lado em que ficavam um de costas para o outro na hora de dormir, de fato. Sabe, todo mundo tem um lado preferido para dormir, não é? Quando ele bebia demais, ele dormia na mesma posição a noite toda (geralmente ocupando um bom espaço do lado dela), e então ela dormia toda espremida na parede fria ou, quando sobrava mais espaço do outro lado, quase caindo da cama. Às vezes ele dormia tão próximo a ela, que usava até o mesmo travesseiro. Ela gostava, embora ficasse um pouco incomodada. Mas, tudo bem, era ele. E ele podia. Só que um dia eles deixaram de dormir juntos. E o tempo passou e ela conheceu alguém que foi dormir com ela. Só que não era ele. Nem chegava perto dele. E esse outro alguém queria dormir junto, abraçado, sufocando-a. E ela queria se mexer e ele a apertava. Ele a puxava para perto, quando a única coisa que ela conseguia pensar era em empurrá-lo. Talvez tenha sido uma das noite mais longas da vida dela. Logo que amanheceu, ela tratou de pular da cama, arrumar suas coisas e ir embora bem rápido. Deixou um bilhete, só para ele não dizer que ela não tinha consideração.
Desculpe, eu não consigo. Preciso de ar. Você não é ele. Sinto muito.

quarta-feira, junho 03, 2009

Quando foi que você desaprendeu a amar? Como foi que você deixou que isso acontecesse? Em qual momento você passou a (des)amar e, pior, deixou que deixassem de amá-lo? Consegue encontrar uma explicação por terem perdido tal vontade? Onde foi parar aquele seu carisma, aquela sensação boa que as pessoas tinham ao estar em sua companhia? Diz, me diz, por favor, porque é que agora o seu amor sufoca e não conforta? Como você foi capaz de mudar tanto? Onde, exatamente, está seu erro? Aonde foi o 'eu também' do seu 'eu te amo'? E se eu lhe perguntasse quem é o responsável por essa mudança? Você saberia me responder?
Ainda que ela não fosse uma amiga próxima, tivemos alguns momentos de risadas e compartilhamos juntas um momento importante de uma amiga em comum.
Ainda que, talvez, ela fosse uma colega, uma conhecida... ela era conhecida o suficiente para deixar saudade.
Ela era linda, reluzia carisma.
Ela foi embora mais cedo, deixando todos muito chocados.
Eu pensei em ir vê-la, mas quero tê-la sorridente em minhas lembranças.
Ainda que a vida possa parecer cruel, Ele sembre sabe o que faz.
Descanse em paz, menina... E você, menino, força...


segunda-feira, junho 01, 2009

Só uma observação: ninguém devia ficar sem companhia para almoço, nunca.

domingo, maio 31, 2009

Ao longo da vida, da minha vida, foram e são feitas inúmeras descobertas.
Muitas delas não são tão bacanas assim, como, por exemplo, o fato de descobrir que existem pessoas más de verdade na vida real, e não só nas histórias de contos de fadas(?) que eu ouvia quando era criança.
Horrível descobrir que o Papai Noel não existe e que quem respondia às minhas cartinhas (sim, o meu Papai Noel era muito educado e sempre me escrevia) era, na verdade, o meu irmão. Impressionante descobrir que o Mundo de Beakman era dublado e, pior, as cartas que enviavam eram falsas [tenho traumas com cartas, eu acho].
Interessante quando você se dá conta que o Chaves e o Chapolin eram o mesmo ator e, mais, o Programa do Chaves é em espanhol! Além disso, a Chiquinha era adulta.
Muito triste saber que seu primeiro amor/beijo morreu muito jovem, de um câncer raro, que você nunca teve coragem de perguntar a respeito para ninguém.
É um pouco estranho descobrir que a Vovó Mafalda e a Velha Surda da Praça são homens e o Bozo deveria ser uma figura simpática e não aterrorizante, como eu achava.
No entanto, bacana foi poder acompanhar a Deborah Secco com os mesmos dilemas que os meus, em Confissões de Adolescente.
Difícil entender, aos 15 anos, que a sua tentativa de namorado, na época, achou mais interessante ficar com uma mulher de 22 anos e você a considerava uma velha.
Cruel sentir tanta cólica, tudo porque seus hormônios estão desorientados por conta do fim da infância e início da adolescência.
É complicado processar a ideia de que enquanto você brincava de Barbie, aos 12 anos, hoje, há meninas que ficam grávidas. Os tempos mudaram, MESMO.
Assustadora a responsabilidade de escolher uma profissão aos 18 anos, sem nem saber muita coisa sobre essa tal de vida adulta.
E o café da manhã sempre pronto logo cedo? E a minha coleção de bonecas? E a despreocupação com relação ao amanhã? E a metade do abacate que meu pai sempre me dava porque sabia que eu gostava? E os bolinhos de chuva da minha avó? E as brincadeiras de cócegas que minha mãe e eu tínhamos?
Ficou tudo guardado no rol das boas lembranças.
E por mais que dê medo, a vida adulta ainda consegue ser surpreendentemente boa, apesar de todas as descobertas negativas que já vieram e estão por vir.

(...) - Eu quero dizer o que eu não sei o que quer dizer, e quero que você diga tudo que você não sabe o que quer dizer! ...
- Mas isto é impossível! ... As palavras nunca chegam...
- Dane-se! Eu quero dizer! Missão impossível! Quero missão suicida! Alguma coisa heroica tem de ser feita neste país; se nada acontece mais no mundo, se todos mentem, o heroísmo está em se dizer
tudo!


[Eu sei que vou te amar]

sábado, maio 30, 2009

Bilhete para uma letra A

Eu estava tentando encontrar um meio de te deixar um recado, mas eu descobri que não consigo falar, que cartas são piegas e o telefone é muito frio. Então, eu resolvi te deixar um bilhete. Bilhetes me interessam mais, então preciso ser breve.
Eu não vou te chamar de Amigo e tampouco de Amor. Eu não quero que você seja (só) meu amigo, mas também não quero que você sinta-se muito amado, consegue entender?
Meu caro, lembra daquele dia? Claro que você não lembra... Foram tantos e, ao mesmo tempo, nenhum, não é? Lembra quando levávamos a vida de uma maneira despretensiosa sem nem imaginar o que aconteceria tempos depois? Lembra quando não tínhamos a mínima ideia do que seria do futuro, de nós no futuro? Eu lembro, e queria poder dividir isso com você.
Eu quero que você lembre junto comigo para eu me sentir menos sozinha. A vida anda muito vazia nos últimos tempos, não acha? Continuamos sem saber o que vai ser do futuro, de nós no futuro, mas não existe mais aquela expectativa, aquela ânsia para descobrir. Parece que só estamos vivendo. Vivendo e ponto.
Amigo Amado, falta pouco para esse bilhete ser uma carta, então, só me responde:
Você sente minha falta? Você quer que nossos futuros caminhem juntos? Você gosta dos nossos sorrisos, juntos, tanto quanto eu gosto?
Amado Amigo, não demora para responder, o trem está correndo cada vez mais e eu só tive tempo de te deixar um bilhete. Pode me ligar, mandar uma carta ou me encontrar. Contanto que você venha acompanhado de um SIM, só para me fazer feliz.
Beijos, com carinho...
Sua (...)

sexta-feira, maio 29, 2009

Sun been down for days
A pretty flower in a vase
A slipper by the fireplace
A cello lying in its case
Soon she's down the stairs
Her morning elegance she wears
The sound of water makes her dream
Awoken by a cloud of steam
She pours a daydream in a cup
A spoon of sugar sweetens up
And she fights for her life
As she puts on her coat
And she fights for her life on the train
She looks at the rain
As it pours
And she fights for her life
As she goes in a storewith a thought she has caught
By a threadshe pays for the breadand she goes…
Nobody knows

[Her morning elegance]

quinta-feira, maio 28, 2009

Engraçado como as pessoas gostam de dar palpite na vida alheia, não? É fácil falar o que eu deveria fazer, mas pagar as minhas contas ninguém quer, não é? Se eu desisti de uma viagem porque tenho outras prioridades, creio que o problema seja único e exclusivamente meu. Se eu já comecei a pagar essa viagem e vou ter que continuar pagando mesmo não indo, o problema continua sendo meu, certo? Eu estou pedindo para alguém pagar? Não. Eu estou me negando a pagar o restante da viagem? Não. Então, por favor, vá julgar a senhora sua mãe que o pariu! O dinheiro [ou a falta dele] é meu e eu faço dele o que eu quiser, combinado? Clichê, mas não há outra frase melhor para resumir tudo: no dia em que você pagar minhas contas, eu permito que você me diga o que fazer.
Prontofalei.

quarta-feira, maio 27, 2009

Foi como se eu tivesse voltado, pelo menos, doze anos atrás. Há doze anos, era eu quem estava toda ansiosa às 7h da manhã para ir viajar com a escola. As famosas "excursões escolares". Logo de início, o monitor, aos poucos, tenta pegar a confiança dos alunos, na esperança de conseguir controlá-los nas horas de maior bagunça. Sim, porque a bagunça sempre vai existir, cabe aos professores mantê-la aceitável. Há doze anos, não existia celular e tampouco era possível ouvir músicas por meio desse aparelho. Atualmente, a viagem toda é regada com os últimos hits e só se ouve: "Aaai, eu não acredito que você tem essa música! Peraí que vou ligar meu bluetooth para você me passar!". E a poluição sonora aumenta, e os tons de voz também. Foi-se o tempo em que as "crianças" iam cantando a viagem toda [essa é uma parte da qual eu não tenho muita saudade, mesmo].
Bagunça de lá, bagunça de cá, "pessoal, não quero ninguém em pé no corredor!", "galera, por favor, não coloquem os braços para fora do ônibus!", "Joãozinho, acabei de falar que não quero ninguém no corredor!", "meninos, não mexam com ninguém na rua, vocês não sabem com quem estão lidando!", "atenção, todo mundo, por que todo esse alvoroço com um travesti? até parece que vocês nunca viram um! RESPEITO, pessoal, RESPEITO!", "gente, é só uma banca de jornal cheia de revistas para adultos, sem escândalo, por favor!". Finalmente, quando chegam ao destino, estão todos mais ansiosos ainda. Descem se atropelando pelas escadas, sempre escoltados pelos professores e monitores.
Teatro. "Desliguem seus celulares! Não, não pode deixar no vibra. Desligado é desligado, Mariazinha!". Alguns shiiius daqui e psssiiiu dali, a peça termina.
Na saída, à espera do ônibus, quase na hora do almoço. "Tia, cadê o busão?", "Tia, a gente vai almoçar onde?", "Tia, pode comer Mc? E Subway?", "Ai, olha o All Star daquela menina, é de zebra! Eu quero comprar um. Tia, adorei seu All Star verde!!". Ah, nada melhor do que um shopping enorme para levar os anjinhos. "Tia, posso ir pegar o catálogo da Kipling?". Ok, todos alimentados, números checados, vamos ao museu.
No museu. "Pessoal, só fotos sem flash, ok?", "Não pode correr, não pode mascar chicletes, não pode se dispersar da turma, combinado?". Meninas tirando fotos no espelho, meninos ensandecidos com a história do futebol e, finalmente, duas horas depois acaba o passeio. Na saída, as meninas começam a gritar e agarrar um pobre coitado meio japonês, de cabelo loiro e barbicha. "MeuDeusdocéu, quem é esse ser?", alguém responde: "Acho que é o baterista do CPM, NX Zero ou alguma coisa assim.". "Ah, tá, prazer, moço.".
De volta ao ônibus, a mesma saga da ida se reinicia. Músicas de celular, gritaria, pessoas no corredor... Mas, ufa, algumas coisas não mudam nunca: a famosa cantoria "Buzina, buzina, buzina, buzina!" ao chegar no colégio não poderia faltar! E o motorista, claro, aperta a buzina o quanto pode.
Ao descer do ônibus, os monitores e professores assistem a cada um dos alunos ao pisar na calçada. "Tchau, tia, foi muito legal!".
E a tia vai embora, cansada, mas feliz por poder ver os dois lados de um excursão escolar. Há doze anos, era ela quem descia do ônibus e dizia as mesmas palavras enquanto seus pais a esperavam do outro lado da rua.

terça-feira, maio 26, 2009

Como é que alguém pode querer encontrar outra pessoa com essa aparência? Olha essas olheiras... Cadê o corretivo? Corretivo? Desde quando eu tento amenizar olheiras com maquiagem? Aliás, desde quando eu tenho olheiras? E esse cabelo? Talvez tivesse sido melhor cortá-lo... Não, ele costumava gostar do meu cabelo assim, comprido, natural. Deixa o cabelo assim, pense na roupa... Jeans, quem sabe? Vestido? Saia? Qualquer coisa, desde que não seja preto. Ele gosta de cores, eu lembro bem. Nada de salto. Eu já deixei de usar há tempos, e mesmo que eu possa usar ao lado dele, eu não me sentiria confortável. Nunca foi tão difícil me arrumar para encontrá-lo. O tempo passou e aquela juventude ingênua ficou lá atrás, nos bancos das praças. Será que devo ir? Tanta coisa mudou... Eu sei que não vai ser como sempre foi e esse é meu medo. Não quero que a última lembrança seja um reencontro desastroso. Bem, a boa notícia é que tudo que poderíamos ter feito para isso não dar certo já foi feito. Assim, fica mais fácil lidar com a situação. Somos apenas eu e ele.

segunda-feira, maio 25, 2009

Ela nunca acreditou em homem ideal, mas tinha suas preferências. Ela sempre gostou de homem com sorriso bonito, bem bonito. Além dos dentes bonitos, o sorriso tinha que ser daqueles sinceros. Mas não bastava o sorriso bonito, tinha que fazê-la rir, ele tinha que ser engraçado. Gostava de homem que soubesse manter uma conversa inteligente e que gostasse de dançar ou, pelo menos, tentasse. O que ela queria mesmo era um homem que gostasse de beber alguma cerveja em um bar que não fosse popular e tivesse um bom papo. Um homem que soubesse cozinhar, já que ela não era especialista nessa área, e que tivesse um gosto musical semelhante ao dela. Ela só queria um homem com os braços longos, assim ela poderia sentir-se, de fato, abraçada. Ela tem mania de abraços. Gosta de abraçar e, principalmente, ser abraçada. Ela quer abraçar o mundo, ajudar todo o mundo, resolver tudo do mundo. Ela quer colorir o mundo, colocar sorrisos bonitos em todas as pessoas.

domingo, maio 24, 2009

Você, sempre cheio de personalidade; eu, na época, tentando encontrar alguma. Você nunca deu importância para datas comemorativas e hoje eu sigo sua mesma linha de pensamento. Lembro bem o dia que fui desejar "feliz natal" e você respondeu: "ah, eu não ligo para essas coisas, mas feliz natal para você também". E isso vale para todas as outras datas e até mesmo aniversário. Eu conheci seu armário de roupas todo e você não chegou nem perto da metade das coisas que eu tenho. Era você quem me chamava de responsável, sem levar em consideração que para encontrar você eu tinha que agir de uma maneira bem irresponsável, na época. Foi você quem me encorajou a atravessar a cidade, sem confiança no volante, só para te ver. Foi por você que eu mudei muita coisa na minha vida, embora não tenha sido para você. Você sempre foi o modelo de vida que eu não poderia seguir mas que, meu Deus, como eu gostaria. E o tempo passou e você também mudou. Sua vida anda bem mais 'responsável' e eu quase não te reconheço. E eu me contorço de saudade de 'nós', daquela maneira. E eu adoraria poder encontrá-lo hoje. Hoje, nós poderíamos conviver juntos entre as responsabilidades e irresponsabilidades. No entanto, hoje, estamos mais distantes do que sempre estivemos.

sexta-feira, maio 22, 2009

=/ diz:
oi
:) diz:
oi, tudo bem?
=/ diz:
não tão bem quanto você, mas tudo bem...
:) pensa:
ah, vai pro inferno! agora quer falar por mim?
:) parece estar offline.

**

=/ diz:
e aí, tudo bem?
:) diz:
oiê! tudo bem, e por aí?
=/ diz:
tudo bem também... novidades?
:) pensa:
novidades? huuum... a crise acabou e todo mundo vai passar as férias nos EUA. aaaah, tenha dó. perguntinha besta.
:) parece estar offline.

**
=/ diz:
oi, tudo bem?
:) diz:
olá, tudo bem, e você?
=/ diz:
bão tamém... e aí, o que você está fazendo?
:) pensa:
hã? como assim? tô amassando pão e comprando uma televisão nas lojas Americanas.
:) parece estar offline.

**
=/ diz:
oiê
:) diz:
oi, tudo bem?
=/ diz:
tirando o trabalho, minha família, Fulano de Tal que nem liga pra mim e meu cabelo, tudo bem, e aí?
:) pensa:
se mata.
:) parece estar offline.

**
=/ diz:
oi gata
:) diz:
oi, tudo bem?
=/ diz:
belezera e ae qdo vamu se encontra?
:) pensa:
no dia que você voltar às aulas de Português.
:) parece estar offline.

E depois de tanto pensar, ela concluiu que o melhor mesmo é não pensar. O bom mesmo é viver aquilo que tem que ser vivido naquele momento e só. É mais interessante pensar só no que está acontecendo a pensar no que aconteceu ou, pior, ainda vai acontecer. Ela cansou de tanta balela e agora quer mesmo é ser a contadora de tantas mentiras. Mentir é feio. Pouco importa. Em toda sua vida, ela sempre ouviu mentiras e acabou ficando especialista nessa modalidade. Ela mente até para si mesma, assim fica mais real. Suas mentiras não fazem mal a ninguém. Isso, claro, se ninguém descobrir. Ela mente para se proteger, talvez ela omita muito mais. E ela vai vivendo assim, feliz, sem pensar no quanto já se magoou. Ela vive a sorrir e a aproveitar todos os bons momentos a ela proporcionados. Ela não gosta de falar da sua vida pessoal, detesta perguntas íntimas, até mesmo dos íntimos, e costuma se esquivar... e mentir, claro. Ela mente muito bem, acredite. Só não queira saber se isso é mentira ou não. Ela me contou e pediu para eu contar ao mundo.

terça-feira, maio 19, 2009

Aconteça o que acontecer, sempre vamos pertencer um ao outro. Não importa o que aconteça, nossa história (que nunca teve um fim, de fato) sempre vai estar alí, pronta para ebulir. Talvez a vida não queira que fiquemos juntos. Não agora, não por enquanto. Talvez nunca fiquemos juntos de verdade. Talvez sim. O que importa é que sempre vamos estar na lembrança um do outro. O que me conforta é que sempre estivemos juntos, ainda que distantes. Sempre pensamos um no outro, mesmo quando há outra pessoa. E eu penso em você muito mais agora, tão perto de mim, mas muito mais longe do que eu gostaria. E eu te amo, sim, também, sempre.


Se você fizer uma radiografia da sua vida
Verá com certeza, quem sabe com um certo espanto
Que eu apareço do tornozelo ao pescoço
Eu apareço, estou gravado, cravado
Eu apareço na sua espinha dorsal
Não tente me entender e não me meça
Não me aceite de volta por mais que eu peça
O que interessa é que eu estou escrito no teu corpo
E mesmo quando eu já estiver morto
'Cê' vai me ver no espelho do seu olho
O que interessa é que eu estou escrito no seu corpo
E mesmo quando eu já estiver morto
'Cê' vai me ver no espelho do seu olho

segunda-feira, maio 18, 2009

(...) Nunca me disseram o que devo fazer
Quando a saudade acorda
A beleza que faz sofrer
Nunca me disseram como devo proceder

Chorar, beijar, te abraçar, é isso que quero fazer
É isso que quero dizer...

sábado, maio 16, 2009

E quanto a você? Eu vou por aí, sem rumo e nem beira. Mas me diga o porquê. Porque eu cansei, porque eu quero viver. E o que é que você fazia antes, senão viver? Eu sobrevivia e fingia que não sabia. E eu que pensava te dar um vida feliz. Feliz para você e o mundo que você vivia. Meu mundo? Seu mundo, o mundo que você nunca me deixou entrar, ainda que eu estivesse sempre batendo à porta. Eu te deixaria entrar, mas, não sei, achava que era você quem não queria. Mentira, mentira descarada. Você nunca me convidou para entrar. Mas eu não quero que você vá embora. Mas eu vou, eu preciso ir, preciso saber o que é a vida além da que eu vivi com você. Você costumava dizer que eu era sua vida... Tola, estúpida! Era isso que eu era! Vida não tem nome e nem toda essa altura. Mas você não iria gostar desse mundo, eu tampouco gosto dele. Então porque você vive nele? Porque eu tenho refúgios, caso contrário não iria sobreviver. Refúgios? Você. Eu? Enquanto você chama essa palhaçada que vivo de vida, eu chamo você de MINHA.

sexta-feira, maio 15, 2009

Você mal chega e eu já quero que você vá embora. Desculpa tamanha sinceridade, mas é isso mesmo que eu sinto logo depois que nos encontramos. Eu até tenho vontade de encontrá-lo quando estamos distantes, mas quando você chega perde a graça. Não deve ser culpa sua, deve ser comigo o problema. Essa contradição ambulante. Você me trata com tanto amor que chega a incomodar. Por onde eu ando você está atrás, sempre procurando manter sua mão em contato com meu corpo, seja na cintura, nos ombros ou nas costas. Você é encantador, mas também é cansativo. Eu me habituei a estar com pessoas de pouca disponibilidade. Disponibilidade sentimental, entende? Eu devo me sentir assim porque com você eu tenho uma das raras certezas: não vai dar certo. E é porque eu não quero, admito. Sim, eu pareço cruel e insensível, mas eu precisava dizer. E eu não quero tirá-lo da minha vida, eu gosto de saber que, de certa forma, você está nela; mas eu gosto mais de você quando não estamos juntos. Espera, você vai embora? E para onde você iria? Você não tem aonde ir agora. Fica, dorme, pelo menos. Ah, já te convenci? Pensei que seria mais difícil, mas eu esqueci que era você. Não, não fica chateado. Juro, não vale a pena. O problema é que eu gosto do estrago e você é disponível demais.

quinta-feira, maio 14, 2009

Ele disse que costuma ler o que eu escrevo. Disse que sente minha falta e que muitas vezes pensa em mim. Ele tem um sorriso lindo. Um olhar envolvente e um dos melhores abraços. Ele diz que várias vezes pensou em me ligar. Ele nunca liga. Ele quer saber de mim, mas eu quase não pergunto sobre ele. Acho que eu não tenho coragem. Eu penso nele muito mais do que eu gostaria, mas eu nunca revelo isso a ele. Eu envio alguma mensagem quando não consigo controlar minhas mãos, mas ele nunca responde. E ninguém toca no assunto depois. Ele não me parece feliz, mas também não diz que está triste. Ele parece conformado com o destino que a vida o encaminhou, mas eu não vejo entusiasmo. Eu tampouco mostro entusiasmo. Eu ofereço ajuda em sua nova vida, caso ele precise. Ele diz que seria estranho. Eu digo que sou inofensiva e ele rebate dizendo que esse é o problema. Sempre existiu aquele vácuo entre nós. Aquele poderia ter sido que nunca vai ser. Eu quero encontrá-lo, mas preciso que ele esteja sozinho. Eu vou encontrá-lo, mas ele não está sozinho. E nós só nos cumprimentaremos, como qualquer conhecido que você encontrou em uma mesa de bar abarratoda de pessoas. E eu vou me afastar, discretamente, com o coração disparado, os olhos embargados e um sorriso enorme no rosto. Eu não olho para trás, eu sei que ele vai me acompanhar com os olhos. E eu não quero troca de olhares. Eu só precisava vê-lo.

segunda-feira, maio 11, 2009

Eu vou entrar na sua casa, no seu quarto e vou tirar todos os quadros, as fotos, os livros, os CDs, os DVDs e os papéis que você guarda. Vou mudar a cama de lugar ou, quem sabe, até tirá-la do quarto, vou jogá-la pela janela. Vou tirar o seu computador, desconectar todos os cabos. Vou quebrar a televisão e o rádio. O armário também não vai existir mais no seu quarto. Seus perfumes, roupas e sapatos eu vou doar. A janela eu vou fechar, o papel de parede eu vou rasgar.
Depois de tudo, eu vou te convidar para entrar no seu quarto.
E, finalmente, eu vou saber que ele está completo.

sexta-feira, maio 08, 2009

Tome uma atitude, sua besta!
Seja uma besta com atitude.
Pode ser uma atitude besta,
Mas que seja uma atitude.

[ZB]

terça-feira, maio 05, 2009

Eu estou farta das suas aparições repentinas... Quando eu menos espero você surge para transformar minha vida em um caos. Às vezes, até percebo algum indício de sua chegada, mas tento ignorar... E e aí que você resolve aparecer com toda força e disposição. Chega sem me dar tempo para pensar e me derruba, me deixa na cama, jogada, e sem vontade de fazer absolutamente nada, além de curtir a sua companhia. Eu detesto a maneira que você me deixa... Sensível. Eu faço de tudo para te mandar embora, até peço ajuda a estranhos, mas você é insistente. Sabia que você atrapalha minha vida? Atrasa tudo, não me deixa fazer nada. Se eu tenho uma programação para cumprir, você consegue mudar tudo, só porque quer a minha companhia única e exclusivamente para você. Eu sei que estou predestinada a você, mas eu ainda vou encontrar uma maneira de mudar isso.
Dor de cabeça, Enxaqueca ou Sinusite, eu te odeio.

segunda-feira, maio 04, 2009

"Eles por Eles"
(inspiração: Elas por Elas, de Zeca Baleiro)


Com Danilo vivia só pesando grilos / Fábio foi só um quebra galho / Por Felipe eu quase virei hippie / Otavio era mesmo um otário / Com Marcelo foi tudo muito belo / Samuel era doce como mel / Frederico não era assim tão rico / Com Paulo me mudei para São Paulo / Por Osmar eu me joguei ao mar / Foi Giovanni quem me levou para Miami / Com Sergio nada dava certo / E Leonardo só criava caso / Caio nos deixou feito um raio / Com Rodrigo eu já nem brigo / Já Gustavo nunca ficou bravo / E André não saía do meu pé / Thiago foi um estrago / Eduardo era um coitado / E com Julio tudo acabou em julho / Alexandre não era muito grande / Mário caiu no conto do vigário / Fernando passa a vida trabalhando / Pedro já me deixou com muito medo / Joaquim só gostava de ler pasquim / Com Luiz eu juro que tentei ser feliz / Daniel me dobrou feito papel / Com Leandro tudo era um encanto / Já Eugênio foi muito ingênuo / Com Marco eu fui passear de barco / Cassiano foi caso de um ano / Com João era só confusão / E o Bruno que era um gatuno?
[M. e M. em parceria]

sexta-feira, maio 01, 2009

Ela, como de costume, está sem saber qual caminho seguir. No momento, ela teria três portas para abrir. Na verdade, na bem da verdade, ela sabe muito bem que as três portas a levam para o mesmo destino: fracasso. Duas das portas ela já abriu e fechou inúmeras vezes. Na prática ou na teoria. Ela já entrou, caminhou, caiu em diversos buracos, levantou, bateu a cabeça, caiu de novo e resolveu sair, mas nunca trancou as portas, sempre as deixou ali, fechadas, mas disponíveis. Em suma, duas das portas têm uma daquelas faixas amarelas e pretas que todo filme policial tem em alguma cena de crime. A outra porta está entreaberta e ela já espiou algumas vezes entre o vão. E ela não consegue ver nada muito claro, mesmo usando seus óculos. Ela sabe que teria que entrar para saber o que tem por trás daquela porta tão nova, tão simpática e tão... misteriosa. Ela se sente acuada e, de certa forma, responsável por tudo que possa vir a dar errado.
Depois de olhar para as três portas, com mais carinho para a que está ligeiramente aberta, ela decide sair pela janela. Por incrível que pareça, esse é o caminho mais seguro no momento.

terça-feira, abril 28, 2009

É tão importante deixar certas coisas irem embora. Soltar! Desprender-se! Às vezes ganhamos e às vezes perdemos. Não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu AMOR. Encerre o ciclo. Não por causa do orgulho, por incapacidade, mas porque simplesmente aquilo já não encaixa mais na sua vida. Feche a porta, mude o disco. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é!

[O Beijo Na Realidade]

segunda-feira, abril 27, 2009

Hoje a conversa é entre nós: a dona deste blog e você, leitor.
(Aos que não querem saber uma verdade - cruel, talvez - favor parar de ler agora. E não diga que eu não avisei.)
Como seria possível alguém ser "perfeito", mas, ainda assim, não ser o suficiente? Quem já ouviu algo do tipo: "você é perfeito... mas eu não sei reconhecer isso", ou ainda: "você tem tudo que eu procuro em alguém, mas não me sinto preparado para isso", definitivamente, deve ter essa dúvida.
Sejamos diretos: você não é importante para essa pessoa.
Sim, dói, mas você sobrevive, juro.
Isso não significa que a pessoa não goste de você, ela até gosta, mas não o suficiente para te eleger a pessoa com quem ela quer ficar de verdade.
Não há como estar com alguém pela metade. Se só o procuram para determinados assuntos ou interesses é porque, no mínimo, você só é útil pela metade (ou nem isso). E quem é que quer ser útil pela metade? Você acaba se sentindo muito mais inútil, isso sim. E não adianta ter a esperança (eu diria: ilusão) de que o outro vai ter um rompante de lucidez e descobrir que você é o amor da vida dele. Esqueça, isso só existe em filme (e olhe lá).
Tudo bem, você já pode ter ouvido falar sobre uma exceção aqui e outra alí (geralmente, a amiga da prima da cunhada do tio do seu colega de trabalho), mas a verdade é que se você não é o bastante hoje, dificilmente será amanhã. E se você não quer ser interessante apenas em alguns momentos, então deixe de ser por completo para esse alguém.
Porque se você não é interessante como um todo para essa pessoa é porque ela não merece nem o seu mínimo. E eu nem digo que ela é má pessoa, é só uma questão de sentimento: ela não gosta de você o suficiente para te considerar importante. Deu para entender?
Assim, realismo e objetividade são essenciais: não invista em quem só parece querer parte de você. Há muita gente que o quer por inteiro.
(E quem leu até aqui mesmo depois do meu aviso, não reclame, é para o seu bem!)

sexta-feira, abril 24, 2009

Você me ensinou que vale a pena sorrir mesmo quando a única vontade que se tem é afogar as lágrimas no travesseiro. Você me convenceu de que eu posso conseguir trabalhar na área que eu quero, basta ter paciência e perseverança. Você me convenceu de que eu também sou capaz de trabalhar fora da minha área e obter sucesso. Você sempre ressaltou minhas qualidades e mostrou onde eu poderia melhorar. Você me abraçou quando eu estava triste e me abraçou de novo quando eu estava feliz. Você preparou meu prato favorito e me deu champanhe e bombons para comemorar apenas o fato de estarmos juntos. Você me deu o par de brincos mais bonitos, ainda que relutante, pois achava que eu merecia mais. Você saiu de casa e veio fazer massagem em meu rosto para ajudar a dor de cabeça passar. Você comprou remédios e me levou ao hospital em todas as crises de enxaqueca. Você foi me visitar no hospital quando sofri o acidente e passou o dia comigo, só conversando e tentando me animar. Você comprou o CD do meu cantor favorito e eu não tive coragem de contar que eu já o tinha. Você me mandou flores e mais flores com ou sem motivo. Você apenas me ouviu enquanto eu contava todas as minhas aflições. Você me emprestou seus filmes e livros, alegando que eu era a única em quem você confiava suas coisas. Você me pediu opinião nos momentos mais importantes da sua vida. Você me contou os maiores segredos e eu os tenho guardados a sete chaves. Você me deu carona quando eu estava sem carro, sem que eu nem precisasse pedir. Você comprou todas as besteiras do supermercado só porque eu estava há duas semanas sem voltar para casa. Você me deu os livros que pedi e os que você gostava só para eu gostar também. Você tentou me ensinar Matemática e sempre confiou no meu Português. Você foi ao show de um cantor que eu gostava sem nem mesmo saber o nome dele. Você me deixou de herança seus acessórios e sempre me presenteou quando estava por perto... Você me deu uma roupa nova só porque eu estava triste e você queria me animar de alguma maneira. Você me emprestou dinheiro sem que eu pedisse, só por saber que eu estava precisando. Você chorou comigo quando eu sentia dor e preocupação. Você me recebeu quantas vezes foram necessárias e sempre deixou as portas abertas. Você foi, é e será minha felicidade em pequenas atitudes, sempre.
(Uma homenagem a todas as pequenas atitudes das mais diversas pessoas queridas que passaram, que estão e que acabaram de chegar em minha vida. O meu Muitíssimo Obrigada eterno.)

sexta-feira, abril 17, 2009

Porque há dias em que você acorda (...) com uma vontade danada de de mandar flores ao delegado, de bater na porta do vizinho e desejar bom dia, de beijar o português da padaria...
Há dias em que você acorda e tudo volta a ter sentido. Não importa se você dormiu pouco a noite passada, deve ter sido por um bom motivo. As dores já não existem mais e as preocupações parecem ter sido solucionadas. Os cabelos parecem mais brilhantes e as roupas lhe caem melhor que o costume. O sol está peculiarmente agradável e a brisa da manhã traz boas lembranças. A esperança, aquela velha conhecida, volta a fazer parte do seu mundo e você faz os planos mais mirabolantes para sua vida. Ainda que utópicos, hoje você acredita que eles são possíveis. Os caminhos parecem mais floridos e você tem vontade de abraçar a todos e a si mesmo. Você elogia e é elogiado. Você sorri ao olhar no espelho e agradece. Agradece pela sua vida e por tudo de bom que há nela. Agradece pelas pessoas que o amam de verdade e reconhece que há pessoas que simplesmente não valem a pena. E você não lamenta tal fato, afinal, você vale a pena. Ainda que você esteja recheado de aborrecimentos, hoje, só hoje, você vai abrir os braços, olhar para cima e sorrir! E, tenha certeza, você não está sozinho.

quinta-feira, abril 16, 2009

Eu tenho/quero/preciso [não importa] te encontrar, mas tem que ser por acaso [pelo menos para você]. E como eu faço isso? Fico em frente ao seu prédio até você sair? Não, acho que não... Eu não sou um bom exemplo de discrição [e eu não teria uma explicação plausível para a minha visita inesperada àquele bairro]. Quem sabe se eu te ligar... Não, isso fugiria do "acaso". Um e-mail, quem sabe? É, pode haver uma remota chance de resposta, mas eu quero te encontrar. E se eu der uma passada nos lugares que você costumava frequentar? Bem, costumava... Passou tanto tempo... Ótimo, não encontrei nenhuma solução.

[Mas, confesso, estou pensando em passear pelo seu bairro, assim, despretensiosamente.]


quarta-feira, abril 15, 2009

Muito bem.
Você conhece alguém e essa pessoa é inteligente, bonita, divertida, interessante e simpática. Ela já disse que gosta de você. Talvez ela ame você. Talvez você mesmo ame esse alguém. Vocês passam bons momentos juntos, vocês têm muitas histórias, mas, ainda assim, você a magoa. Depois de um tempo tudo parece ficar bem, mas em um curto período de tempo você a magoa de novo. Talvez seja porque é mais fácil magoar quem te ama porque depois você vai ter o perdão. Talvez seja porque você já se acostumou com a figura dessa pessoa sempre no mesmo lugar.
Muito bem.

(Já parou pra pensar que um dia esse alguém não vai estar mais no mesmo lugar? Pode não estar em mais nenhum lugar.)

E quando eu estiver triste,
Simplesmente me abrace
Quando eu estiver louco,
Subitamente se afaste
Quando eu estiver fogo,
Suavemente se encaixe
E quando eu estiver triste,
Simplesmente me abrace
E quando eu estiver louco,
Subitamente se afaste
E quando eu estiver bobo,
Sutilmente disfarce
Mas quando eu estiver morto,
Suplico que não me mate, não
Dentro de ti, dentro de ti
Mesmo que o mundo acabe, enfim,
Dentro de tudo que cabe em ti

[Skank - Sutilmente]

terça-feira, abril 14, 2009

Um dia você me perguntou por que é que eu te amava. E eu tenho muito claro em minha memória que, naquele momento, eu não consegui dizer nada que fugisse do óbvio. Então, anos e anos depois, eu te digo: eu te amei porque era você quem gritava "LINDA" no meio da pista de dança pra todo mundo ouvir. Você quem me abraçava forte e sempre me elogiava. Era ao seu lado que eu me sentia bem, independente do que estivéssemos fazendo. Eu via poesia simplesmente em estar ao seu lado, jantando comida chinesa ou tomando um capuccino. Era por você que eu pegava sempre o mesmo ônibus, tarde da noite, e cronometrava no relógio os trinta minutos que nos separavam. Eu te amei porque você, de certa forma, me impulsionou a tomar uma decisão importante. Eu amava, principalmente, quem eu era quando estávamos juntos. Eu te amei por todos os bons momentos [e quantos bons momentos]. Eu te amei mesmo quando naquela terça-feira eu saí do seu carro e não voltei mais. Eu te amei mesmo quando eu mudei de cidade, na esperança de não te amar mais.
Eu te amei pelo seu olhar, seu abraço e seu beijo. Eu amava a idéia de ter sido especial, amada e privilegiada. Então eu vi que o mesmo olhar, abraço e beijo nem sempre eram só meus. E então eu notei que, na verdade, eu não tenha sido tão especial, amada e privilegiada. Eu te amei por tudo que você foi e deixei de te amar pelos mesmos motivos.
Mas eu te amei... E espero que, agora, sua pergunta tenha uma resposta mais completa.
[E o que é que você fez com esse amor?]
Naquele dia, ela acordou mais tarde que o costume. Não se preocupou em olhar para o espelho, nada que pudesse ser refletido nele a agradaria. Não precisava dar "bom dia" a ninguém, ela estava só. Não precisava avisar que não iria trabalhar, era domingo. Na cozinha, a louça continuava suja na pia e a geladeira tinha muito mais espaço que comida. Tomou um copo d'água e acendeu um cigarro. Belo café da manhã. Na televisão, nada de interessante passava. Resolveu ligar o computador para olhar suas mensagens. E tentou escrever, não saiu. E tentou fazer rima, não conseguiu. E tentou ouvir música, não funcionou. E tentou conversar, faltou assunto. E tentou chorar, só conseguiu gritar. E então ela abriu a janela e se jogou. Jogou todos os pensamentos e angústias por aquela janela. Jogou aquela árdua tarefa que lhe fora dada: ela tinha que escolher. Ela tinha tantas dúvidas que passou a enumerá-las. Ela queria perguntar, mas tinha medo da resposta. Até que ela chegou ao chão. Caída, mais uma vez, ela escolheu. Ela escolheu, enfim, se apaixonar.

segunda-feira, abril 13, 2009

Eu lembro de você, dos seus cachos e do seu cabelo quase comprido. Lembro de como você me despertava uma curiosidade imensa pelo seu mundo e como eu gostava de estar com você, sempre escondida. Eu lembro do quanto eu me apaixonei por você, do quanto você mudou minha vida. Eu lembro das nossas muitas despedidas e de quando você foi embora de verdade. Eu imaginei que a distância iria deixar nossa relação perdida em algum canto da vida, mas eu estava enganada... E então você me escreveu...

(...) eu quero muito ver você, acho que é a pessoa que eu mais quero ver no momento... (...) você acha realmente que um dia a gente fica junto?

(...) vem logo, esperando, não importa se faça chuva ou sol!

Eu me lembro das vezes que fui ao seu encontro, com o coração disparado e a certeza de que nunca ficaríamos juntos, mas, naquele momento, era com você que eu queria estar e eu era a pessoa que você queria junto de ti...
E hoje você está perto de mim, mas nossas vidas tomaram rumos tão diferentes... Você já não tem mais aqueles cachos e seu cabelo está bem curto, eu já não tenho mais aquela ingenuidade e coragem. Hoje quem tem alguém é você, e eu também, de certa forma. E eu nunca esqueci o número do seu telefone, mas já me falta a coragem de ligar. E eu não consigo esquecer aquela praça, onde sempre passo em minhas voltas sem rumo...

E eu ainda lembro daquela última mensagem, tão sucinta e, principalmente, inesperada, mas que me fez ter uma das poucas certezas da vida...

(...) eu te amo.

Ainda que nunca fiquemos juntos, você foi o amor mais verdadeiro que senti. Ainda que nunca fiquemos juntos, essa sempre vai ser a nossa vontade, ainda que secreta, ainda que impossível.

Nós éramos apenas dois estranhos... O tempo, cruel, passou mais rápido que o esperado. E se nós nos encontrarmos ao acaso, ainda seremos dois estranhos. Mesmo nos conhecendo tão bem.
(E você foi e sempre será o único que nunca abreviou meu nome por achá-lo bonito demais para ficar limitado a apenas três letras.)

domingo, abril 12, 2009

Um leve desespero. Aquela sensação de que as coisas têm solução, mas que por algum motivo não se solucionam nunca. Aquela vontade de escrever, de gritar, de extravasar, mas um certo bloqueio não permite que nada disso seja feito. Aquela vontade de sumir, de se teletransportar para outro lugar, bem longe, outra vida, outra pessoa. Aquela tristeza, aquela insatisfação, aquele ponto de interrogação na sinopse da sua vida, mas aquele sorriso disfarçado permanece no rosto. As dúvidas parecem ter tomado conta de todo o pensamento. As decisões tomadas no passado parecem vir à tona, e as decisões a serem tomadas agora custam a tomar uma forma.

(...) Até que ela partiu
Ela partiu pra bem longe
Pra distante o bastante pra suportar
Ela partiu
Ela partiu pra bem longe
Tão distante parada no mesmo lugar
Ela partiu...
Ela partiu ao meio.

sábado, abril 11, 2009

(...) se eu soubesse que o amor te envaidece não teria dado a chance que eu te dei...
Eu sinto que nossa despedida está prestes a acontecer. Eu não sei você, mas eu preciso me despedir. Eu preciso tirá-lo da minha vida, do meu coração, de uma vez por todas. Eu nem sei o motivo de ainda te amar, ou de achar que ainda te amo. Você sempre se esforçou tanto para que eu nunca te amasse, para que eu só desgostasse de você cada vez mais. E eu, tola, via cada uma das suas tentativas, mas fingia não ver. Assim como tantas outras coisas.
Então, agora, eu coloquei a cabeça para funcionar. Deixei o coração de lado e permiti que só a cabeça agisse. E é isso mesmo que eu te falei, eu estou indo embora. Eu não vou pra muito longe, mas eu vou embora de perto de você, pelo menos. E não pense que essa minha atitude é por birra ou mágoa, é apenas porque eu preciso ir embora.
Desde o primeiro dia eu me apaixonei por você. E mesmo quando eu não te via mais apaixonado, eu continuava ao seu lado. Eu continuava porque eu acreditava em você, em mim, em nós. E eu sempre acreditei. Mesmo no dia em que você me tirou da sua vida, eu continuei a acreditar. E quando eu vi fotos suas com aquela moça, eu chorei feito criança, mas eu ainda acreditava. E quando você me procurou de novo, quando você soube que eu havia conhecido alguém e mostrou sua insatisfação, eu acreditei mais uma vez. E mais do que acreditar, eu tentei. Eu tentei com todas as minhas forças e crenças. Eu tentei fazê-lo sentir o meu amor, eu tentei sentir o seu amor. E eu descobri que não havia amor, que talvez nunca tenha existido amor. E o que mais me fez chorar, foi notar que nada do que você fez foi por maldade. Você nunca me magoou porque quis. Você me magoou porque você nunca me amou. Você nunca me enxergou de verdade.
Agora, anos depois, eu vou embora. E não porque eu tenho raiva de você, e nem mágoa. Eu vou porque eu preciso seguir em frente. Tanta gente já me disse para eu te esquecer... E agora eu resolvi ouvir a mim mesma.
E eu continuo querendo seu bem, seu progresso, sua felicidade. Eu continuo acreditando em você. Só em você. E em mim (sem você).

terça-feira, abril 07, 2009

Alguma coisa mudou entre nós. Talvez seja porque, agora, eu te conheço demais. Agora não há mais nenhuma porta fechada em nosso relacionamento, eu sei muito mais do que eu poderia imaginar saber um dia. Nunca estivemos tão próximos quanto agora, mas também parecemos estar distantes. Nossos sentimentos estão juntos, mas os nossos corpos se separaram. Aquele mistério parece ter sumido, tudo que eu desconfiava passou a ser fato. Talvez quem tenha mudado seja eu. Você continua exatamente o mesmo. E eu vejo você tendo as mesmas atitudes de sempre. As mesmas que teve comigo. E elas sempre se repetem... Eu gosto dessa sua confiança em mim. Gosto quando você diz que eu sou diferente. E, sim, eu acredito em você. Mas eu não gosto desse vácuo presente entre nós. Essa cumplicidade mútua que foi estabelecida entre nós parece nos jogar longe um do outro. Eu sinto vontade de um abraço, um elogio, um beijo de bom dia. Mas eu te conheço demais a ponto de saber que não me encaixo no rol de mulheres que ganham essas atitudes. Eu já sou parte de você e não preciso mais que você tente me conquistar. Ao seu lado, eu desisti de andar em pé. Eu não suportaria um novo tombo. Eu já senti tanta coisa por você que, hoje, eu não sei explicar, definir o que sinto. E eu não teria mais motivos para querer vê-lo, para comprar-lhe presentes, para gastar dinheiro com a viagem se não fosse por esse sentimento sem nome. E por mais que eu não encontre mais motivos para te encontrar, eu lembro que é você, só você, quem me pega no colo...

sexta-feira, abril 03, 2009

Eu sou uma farsa.
É, chegou o dia de contar a verdade.
Comecemos pela aparência. Esse cabelo é pura química. Tratamentos e mais tratamentos para alisar e a chapinha como companheira fiel. A cor também é falsa, tem até nome e preço. Quanto à minha altura, fiz tratamento para ganhar alguns centímetros. Ah, devo contar que tomo muitos remédios para emagrecer. E as unhas são postiças.
Essa história de falar inglês é pura balela. O apreço pela escrita e leitura é pura fachada. Eu pago para alguém fazer isso por mim. Eu gosto mesmo é dos números, das fórmulas!
Os homens baixinhos, loiros e de cabelos bem curtinhos me atraem, vocês nem pode imaginar!! Altos, morenos, barbudos de preferência, cabelos bonitos? Que nada, eu gosto exatamente do oposto.
Eu sou uma pessoa um tanto reservada, quase nem tenho amigas e amigos. E as poucas amigas que tenho são feias, viu? Muito feias... Ah, e desprovidas de inteligência. Mas tudo tem seu lado bom.
E, finalmente, quem me achava sensível estava muito enganado.
Minha sensibilidade é só alergia.

quarta-feira, abril 01, 2009

Ela pediu, então está aí.
Com todo carinho de uma irmã...

Desde o dia em que ela o conheceu, o mundo parece ter tomado uma forma bem diferente. Deixou de girar e passou a andar cambaleando, entre uma curva e outra. Assim, sem que ele se esforçasse muito, ela se apaixonou, se entregou e ainda se entrega. Aquela velha poeira que estava no coração foi jogada para fora, dando espaço a esse novo móvel que passou a fazer parte da decoração dos seus pensamentos. E ela pensava, pensava e pensava. Enquanto ele flutuava naquele compartimento sem nome de sua vida, ela continuava a esperá-lo, até o dia em que ele resolvesse parar, a abraçasse e então, finalmente, caminhassem juntos. Que fosse pelo caminho tortuoso, mas juntos. E ao longo deste caminho; cada qual seguindo o seu, com alguns encontros esporádicos, ele a magoou. Mas já era tarde demais. Ela havia se apaixonado. E mais do que apaixonada, ela se sentia viva. Ele a trouxe de volta à vida. Uma vida diferente de tudo já vivido por ela. A vida que a fez sentir-se livre. Livre do passado, do sofrimento e da mágoa que ela vinha carregando nos últimos tempos. Livre da dúvida que a fazia pensar onde poderia ter errado para que tudo desabasse como desabou. Ela, então, descobriu a si mesma. E descobriu que a vida continua, ainda que alguém a faça chorar. E ela adora o sorriso. Ela adora o sorriso dele. E o sorriso deles quando estão juntos. Os sorrisos que se juntam formando um. Ainda que seja só naquele momento. E, aos poucos, os momentos passaram a ser quase inexistentes... E eles foram tomando caminhos cada vez mais distantes... Duas letras tão próximas e incrivelmente distantes... E ela continua a andar, decidida a não encontrá-lo mais. Decidida e encontrar a si mesma cada vez mais. Às vezes, ela o vê de longe, o coração dispara, os sentimentos se misturam, e ela continua sem encontrar a definição para Ele. Eles. Ela. Mas ela sabe que por mais que eles apenas se encontrem de longe, eles ainda têm muita coisa para viver juntos. E, assim, em seu vestido branco, sandálias baixas e cabelos soltos, ela sai correndo pelas flores. Linda, feliz e sem saber absolutamente nada do que Ele e Ela significam.

Talvez porque ela já tenho notado há muito tempo que não há porque esperar que a vida ganhe forma quando não se sabe nem ao menos o nome dEle e dEla.